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Cavaco Silva alerta para critérios na escolha do próximo Presidente da República

Agência Lusa , AM
19 set 2025, 08:20
Aníbal Cavaco Silva
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REVISTA DE IMPRENSA || Antigo Presidente da República lembra que o chefe de Estado não legisla nem executa políticas, mas exerce uma magistratura de influência com impacto na estabilidade democrática

Cavaco Silva considera que a eleição presidencial de janeiro de 2026 será decisiva para o futuro do país e apela a uma avaliação rigorosa dos candidatos. Num artigo de opinião publicado no Expresso, o ex-Presidente da República defende que o cargo exige muito mais do que popularidade ou promessas eleitorais: requer experiência política, conhecimento profundo das instituições e capacidade para atuar em momentos de crise nacional.

"Os candidatos a Presidente podem prometer tudo e mais alguma coisa e dizer os maiores disparates. No entanto, é sabido que não cabe ao Presidente legislar ou decidir e executar políticas, embora goze de um amplo espaço de intervenção pública", escreve o antigo Presidente da República.

Cavaco Silva sublinha ainda que o Presidente exerce uma magistratura de influência com impacto na estabilidade democrática e que lhe cabe moderar tensões entre Governo e oposição, facilitar consensos em áreas estratégicas e servir como último recurso em cenários de emergência.

"No quadro político-constitucional português, cabe ao Presidente desempenhar um papel importante, no âmbito da sua magistratura de influência, como facilitador de pontes e consensos e como moderador discreto entre o Governo, a oposição e as instituições da sociedade civil. Como Presidente, fi-lo em várias ocasiões, como é descrito nos livros em que quis prestar contas da minha magistratura presidencial", escreve.

A seu ver, sem estas qualificações específicas, o futuro chefe de Estado terá dificuldade em defender o interesse nacional.

O antigo Presidente considera ainda fundamentais atributos como coragem, determinação e persistência, além da isenção face às forças partidárias. A intervenção surge numa altura em que começam a surgir potenciais candidatos e em que o debate sobre o perfil adequado para Belém começa a marcar a agenda política.

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