ENTREVISTA CNN/TVI || Candidato presidencial volta a dizer que é "o líder da direita". E se outro homem de direita, no caso Trump, quiser os Açores, Ventura diz assim: "Acho que os EUA não ensandeceram de vez. Se isso acontecer, acho que Portugal tem de fazer aquilo que agora os europeus fizeram em relação à Gronelândia"
André Ventura afirmou esta sexta-feira em entrevista à CNN Portugal que o apoio de Paulo Portas a António José Seguro o “espantou um pouco”. O candidato apoiado pelo Chega foi questionado sobre o apoio de Ramalho Eanes ao vencedor da primeira volta e diz que foi com Portas que ficou mais "espantado".
“Para ser sincero, houve só uma coisa que me espantou um pouco e nem foi tanto de Ramalho Eanes, foi de pessoas que andavam a dizer, há uns meses, que o socialismo era a pior coisa que nos tinha acontecido e, de repente, foram para os braços de António José Seguro. Paulo Portas é um exemplo evidente”, começou por explicar André Ventura a Sandra Felgueiras. “O dr. Paulo Portas mandou retirar o retrato de Freitas do Amaral quando Freitas do Amaral decidiu fazer parte do Governo socialista [de José Sócrates]. Então agora apoia o candidato socialista à Presidência da República? É um sistema de interesses a juntar-se contra mim.”
O QUE DISSE PAULO PORTAS?
Por outro lado, Ventura diz que a sua fasquia é ganhar a segunda volta. “Acho que não faz muito sentido a conversa do ‘quanto é que preciso ter para liderar a direita’ por uma simples razão: já estou a liderar essa direita”. Questionado sobre as críticas dos restantes candidatos de direita, que alegam que Ventura não defende ideias democráticas, o presidente do Chega diz que isso é “conversa da treta para encher”.
“É só o receio de perderem esse espaço. É o contrário do que fazia Sá Carneiro, que dizia ‘primeiro os portugueses e o país e só depois o partido’. Estes meus adversários fazem o contrário”, afirma, dizendo que, em caso de derrota, aceita “humildemente o juízo das pessoas”.
Outra das questões levantadas foi a do futuro do Chega. Ventura foi confrontado com o cenário de eventual desaparecimento do partido caso fosse eleito Presidente da República. O candidato do Chega rejeitou essa hipótese e refere que até acredita que o partido venha a crescer “com outra personalidade e com outro estilo de fazer política”. “Eu certamente também tenho defeitos e também cometi erros. Estou mesmo convencido que ficará bem entregue. Nunca tive a pretensão de ser insubstituível.”
Instado a nomear um potencial sucessor, Ventura disse que tinha uma opinião, mas que não a iria partilhar.
A atualidade nos EUA também foi tema e o candidato do Chega foi interrogado acerca das políticas do presidente Donald Trump. Ventura diz que “nem sempre concorda” com o que Trump diz.
Uma eventual investida dos EUA nos Açores também foi tema. Ventura diz que não acredita que tal venha a acontecer. “Acho que os EUA não ensandeceram de vez. Se isso acontecer, acho que Portugal tem de fazer aquilo que agora os europeus fizeram em relação à Gronelândia: dizer que nós defendemos até ao último centímetro de terra a nossa integridade territorial.”
Sobre a atuação do ICE, Ventura evitou dizer um ‘não’ direto quando questionado sobre a possibilidade de querer uma força estatal dessa natureza e que use as mesmas táticas.
“Tínhamos o SEF e o SEF é que fazia falta. Não gosto de violência. Sou estruturalmente contra a violência e condeno-a. Quero é que haja um critério igual para todos e não cravos na rua quando morre um negro e olhar para o lado quando morre um polícia ou um branco.”