Cotrim e Ventura começaram cordiais, trataram-se inclusivamente por "tu". Mas eis que entra Sócrates e depois o tema da pedofilia

19 dez 2025, 23:27

DEBATE COTRIM VS. VENTURA || Tirar a nacionalidade portuguesa "à banditagem" pôs Ventura a tratar Cotrim por tu, Depois Cotrim também tratou Ventura por tu quando se falou sobre agricultura e reformas douradas e sobre Sócrates, houve bastantes tu-cá-tu-lá mas também muitos "você": não foi um combate de boxe durante grande parte do debate porque pareceu mais um exercício de cargas de ombro, mas também não foi um passeio pelo Príncipe Real para nenhum deles durante esses dois terços do debate - apesar de Ventura achar que Cotrim é precisamente "o candidato do Príncipe Real". "Ahahahahahah", reagiu Cotrim - que no terço final irritou-se e aí o debate já se pareceu mais com um combate

Começou com eles a entenderem-se: quando questionados sobre a polémica dos rendimentos de Marques Mendes, Cotrim e Ventura pediram transparência e disseram ambos que são translúcidos. “Só tenho uma conta bancária, o património está lá todo. Não tenho investimentos financeiros, não tenho aplicações a prazo. É tudo conhecido. Não tenho mais nada a declarar”, disse. Cotrim: “Publiquei um livro há um mês que tem toda a minha vida profissional até à política. É público, não tenho nada a esconder. Quem pede a confiança aos eleitores tem de mostrar que é confiável e que não tem nada a esconder”-

O debate moveu-se para a lei da nacionalidade. Não se entenderam plenamente: ambos querem que a lei seja aprovada, mas Cotrim pediu a Ventura para não fazer "birra" e deixar de ir contra o Tribunal Constitucional: "Não insistiria na alteração do código penal", afirmou Cotrim. "É adiar a entrada em funcionamento desta lei. É um desfavor que se faz ao controlo da política migratória  - que é algo que precisamos de ter”. Por isso: pediu ao Chega para parar com a “birra”, termo que repetiu, para parar com a "birra" da perda de nacionalidade para quem comete crimes. Ventura não acedeu: "Não vou abdicar de que quem cometa crimes em Portugal seja expulso". Cotrim: “Assim a lei vai continuar a chumbar no Tribunal Constitucional”.

Depois veio o mundo: Trump, Mercosul, Ucrânia. Ventura acusou Cotrim de querer mandar “os nossos jovens para a guerra” no leste europeu. O liberal negou e respondeu com os direitos e deveres de cada Estado-membro da NATO. O tratamento por "você" entre ambos evoluiu ocasionalmente para "tu", ora se tratavam com deferência ora com proximidade, por vezes até com soundbites: "O João é o candidato do Príncipe Real", diz Ventura, "ahahahahahah", reage Cotrim, "eu sou o candidato do país real", prossegue Ventura, "eu não falo para uma elite de malta amigalhaça que se representa nos bairros mais importantes de Lisboa e Porto", conclui Ventura.

Cotrim reage à acusação, "sou tanto das elites que não fui eu que passei de ser inspetor tributário para dar conselhos aos milionários sobre como fugir aos impostos" - e Cotrim afirma que foi isso que Ventura fez. "Isso é que é trabalhar com as elites", insiste Cotrim. "Não fui que depois fui chamado, por via dessa atividade, a testemunhar em tribunal sobre um caso de vistos gold em que tinhas dado um parecer positivo à isenção de IVA de determinados tratamentos. E do outro lado estava quem? O [Paulo] Lalanda e Castro, o grande amigo de José Sócrates", agora é Cotrim a concluir, já a tratar Ventura por "tu".

(Nuno Fox/SIC)

A acusação de Cotrim a Ventura refere-se a uma história revelada pela revista Sábado em 2020, de que André Ventura permitiu, enquanto trabalhava na Autoridade Tributária, que a Intelligent Life Solutions, empresa de Paulo Lalanda e Castro, não pagasse um milhão de euros em IVA.

Ventura não gostou. “Sabe o que é que eu era na altura? Era inspetor tributário, tinha acabado de fazer um estágio, como muitos que têm de passar pela administração pública. Não estava na TVI a despedir a Manuela Moura Guedes a pedido do Sócrates. Isso ficou consigo. Eu não fiz um percurso de amigalhaços.” O debate começa a escalar.

"Isso é falso", responde Cotrim. "Isso é falso. Eu saí da TVI incompatibilizado com os acionistas", afirma. "Isto é falsidade, não pode passar”, insiste Cotrim - que questionou a seguir se Ventura queria ou não retirar essa acusação.

“Não, porque estou convencido que fez o jogo de José Sócrates”, afirmou Ventura.

Cotrim: “Não, não, não, não, não, não. Ouça, ouça, ouça. Disse que eu demiti a Manuela Moura Guedes, é falso”.

Ventura: “Sabe que isso é verdade. Foi ela que o disse. Ela disse-o à frente do país todo. Você fez o jogo do Sócrates”.

(Nuno Fox/SIC)

Cotrim continuou indignado e decidiu trazer para o debate o tema da pedofilia: “No Chega, os casos de pedofilia sucedem-se. Tivemos Nuno Pardal, na Câmara Municipal de Lisboa. Tivemos Artur Alves, na Arruda dos Vinhos. (…) Quem bate no peito contra a pedofilia não pode ter estas sucessões de casos. (…) Depois, a proximidade a pessoas como [Viktor] Orbán. Orbán tem um caso de pedofilia brutal na Hungria. Desde 2021 que conhece e não faz absolutamente nada”. Ventura: “Eu quero castrar os pedófilos, o João quer protegê-los”.

Fim de debate.

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