"Nunca fiz chantagem com o Governo". Gouveia e Melo explica as verdadeiras razões para ter deixado a Marinha

9 nov, 22:50

Na mesma entrevista, o candidato presidencial esclareceu ainda a polémica sobre alegadamente ter decidido candidatar-se às presidenciais por causa de Marcelo Rebelo de Sousa.

Em entrevista no "Verdade e Consequência", da CNN Portugal, Henrique Gouveia e Melo rejeitou fortemente a ideia de que tenha tentado exercer qualquer tipo de pressão sobre o Governo antes de deixar a chefia da Marinha. O antigo chefe do Estado-Maior da Armada classificou como “injustas” as interpretações que o retrataram como alguém que teria colocado condições para permanecer nas Forças Armadas.

"A certa altura, tentaram pintar-me, entre aspas, como um indivíduo que estava a fazer chantagem com o Governo, se ou me davam dois submarinos, ou o que fosse, para eu ficar ou eu não ficaria. Eu nunca fiz essa chantagem", começou por defender Gouveia e Melo. "Fiquei aborrecido que me pusessem na boca e nas minhas intenções, determinados tipos de argumentação que eu nunca fiz. Nunca disse isso ao Governo, nunca exigi nada ao Governo", esclareceu.

O candidato a Belém fez ainda questão de deixar claro que o executivo estava ciente das condições necessárias para que pudesse desempenhar bem as suas funções na Marinha. “O Governo sabia que, se me quisesse nas Forças Armadas, era para fazer um papel substantivo e não um papel menor, que eu chamo de corta-fitas. Porque sem recursos, o que é que nós podemos fazer?”, questionou numa entrevista que contou ainda com a participação de Francisco Rodrigues dos Santos e Pedro Costa.

Gouveia e Melo justificou ainda a sua saída com razões de respeito institucional e de carreira. "Não parecia que eu pudesse ficar nas Forças Armadas quebrando também a carreira de todos os oficiais que estavam imediatamente atrás de mim e que me tinham auxiliado nos últimos três anos. Se eu ficasse mais um ano, um ano e meio, faria com que todos passassem à reserva sem ter a oportunidade de chefiar a Marinha. Esse também foi um fator que pesou em mim".

"Houve uma má interpretação do que está escrito": a polémica com Marcelo

As declarações surgem no mesmo dia em que foi divulgada a polémica sobre o novo livro “Gouveia e Melo - As Razões”, no qual o ex-chefe da Armada revela ter decidido avançar para a Presidência da República depois de ler uma notícia do Expresso. O artigo, publicado em outubro de 2024, sugeria que Marcelo Rebelo de Sousa pretendia reconduzi-lo como chefe do Estado-Maior da Armada para travar uma eventual candidatura a Belém.

“A primeira clarificação é que a citação está errada. O livro vai sair em breve e todos podem ver a página 124 e 125, em que eu nunca digo que o principal motivo para concorrer à Presidência tem a ver com o atual Presidente da República”, defendeu. Segundo Gouveia e Melo, “houve, de certeza, uma má interpretação daquilo que está escrito. O que eu digo é que, na minha análise, achei que o meu contributo seria melhor fora das Forças Armadas e da Marinha, enquanto político, do que dentro das Forças Armadas. E é isso que está lá refletido”.

No mesmo livro, conduzido pela jornalista Valentina Marcelino, Gouveia e Melo afirma que "foi esse artigo que me fez definir o rumo". "Porque quando o li, fiquei mesmo danado.” Quanto a esta expressão, “danado”, o almirante esclareceu que o desabafo não se referia à alegada tentativa de Marcelo Rebelo de Sousa o travar, mas sim a uma situação anterior. “O fiquei mesmo danado tem a ver com uma declaração que o senhor Presidente fez na minha tomada de posse”, explicou sem detalhar pormenores sobre o episódio.

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