Ventura primeiro-ministro? Catarina Martins diz que, se for Presidente, vai garantir que "isso nunca venha a acontecer"

CNN Portugal , BCE
5 nov, 22:24

 

 

 

Em entrevista à TVI e à CNN Portugal, a candidata às eleições presidenciais destaca a sua "capacidade de diálogos amplos", que, diz, vão além do Bloco de Esquerda. "Estou a falar com muitas pessoas de outros quadrantes políticos", adianta

Catarina Martins, candidata presidencial apoiada pelo Bloco de Esquerda, promete tentar de tudo para que, se for eleita, André Ventura "nunca" venha a ser eleito primeiro-ministro.

"A minha candidatura abre espaço para que isso nunca venha a acontecer", garante, em entrevista à TVI e à CNN Portugal nesta quarta-feira, admitindo que fará "frente a essa ideia" de forma a impedir que o líder do Chega não consiga formar uma maioria no Parlamento.

"Eu faço frente à ideia de que temos de discutir nos termos da extrema-direita. Eu faço frente à ideia de que é mais importante discutir as burcas em Portugal do que discutir a fatura do supermercado, eu quero discutir a fatura do supermercado", argumenta.

A candidata presidencial assume que se candidatou para preencher "um espaço político que não estava preenchido por ninguém", tecendo críticas ao também candidato António José Seguro, que, diz, "não se sente muito confortável com palavras como 'esquerda'". 

"António José Seguro acabou por vir a estas eleições, até para mim um pouco surpreendentemente, dizer ‘eu sou o voto inútil, a esquerda pode votar em mim sabendo que não direi nada de esquerda'", critica Catarina Martins, acrescentando que "Seguro não quer ser um candidato da esquerda" e que não é ela que o pode "obrigar a ser".

Questionada sobre se seria uma derrota pessoal ficar atrás do candidato apoiado pelo Livre, Jorge Pinto, Catarina Martins responde: "Eu não estou aqui para afirmar um espaço do partido, nem sou um jovem quadro a tentar provar as caras do partido. Eu acredito mesmo que é preciso uma Presidente da República em Portugal que seja capaz de juntar as pessoas."

Confrontada com o declínio do Bloco de Esquerda nas últimas eleições e com a polémica do despedimento de funcionárias que ainda estavam a amamentar, a antiga coordenadora do partido reconhece que essa foi uma "situação dolorosa", mas que só aconteceu porque o Bloco perdeu representação parlamentar.

"É preciso que as pessoas percebam que, quando cai um Governo ou quando muda a Assembleia da República, todas as pessoas que trabalham ficam sem os seus vínculos laborais de um momento para o outro, não importa a sua situação, estejam doentes ou grávidas", argumenta.

Perante a insistência em questões relacionadas com o momento atual do Bloco de Esquerda, nomeadamente sobre a flotilha humanitária onde seguiu Mariana Mortágua, que teve de suspender o seu mandato como deputada para o efeito, Catarina Martins lembra que está a dar uma entrevista como candidata presidencial. "É para isso que aqui estou."

A candidata sublinha a sua "capacidade de diálogos amplos", que, diz, vão além do Bloco de Esquerda. "Estou a falar com muitas pessoas de outros quadrantes políticos", diz, dando como exemplo a eurodeputada Catarina Vieira, do Grupo dos Verdes, e Francisca Van Dunem, ex-ministra da Justiça.

Por isso, Catarina Martins deixa em aberto a possibilidade de passar à segunda volta das eleições presidenciais. "Eu sei que só vir a jogo já foi importante", assume, admitindo que aspira mais do que isso nestas eleições. "Veremos."

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