União Europeia e guerra na Ucrânia dividem António Filipe e Jorge Pinto

Agência Lusa , BCE
8 dez 2025, 23:10
Debate entre António Filipe e Jorge Pinto (Francisco Romão Pereira - RTP)

Os dois candidatos a Presidente da República estiveram esta segunda-feira frente a frente na RTP, num debate para as eleições presidenciais de 18 de janeiro

Os candidatos presidenciais António Filipe e Jorge Pinto partilharam críticas às alterações que o Governo quer fazer à legislação laboral, mas diferiram na visão sobre a União Europeia e quanto à guerra na Ucrânia.

António Filipe começou por saudar “muito vivamente os trabalhadores que no próximo dia 11 vão participar na greve geral contra o pacote laboral”, considerando que “é suficientemente grave para que os trabalhadores lutem contra ele”, e acusou o adversário de ser próximo do “consenso neoliberal que tem conduzido o país à situação em que está”.

O candidato apoiado pelo PCP admitiu pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva de algumas normas e vetar politicamente outras que considerasse “lesivas dos direitos dos trabalhadores e do país”.

Jorge Pinto considerou que “a greve geral dia 11 vai mostrar bem o quanto os portugueses estão contra estas propostas de alteração”.

Na opinião do candidato apoiado pelo Livre, o Governo PSD/CDS-PP quer “mais precariedade, quer mais facilidade de despedimento, quer acabar com a contratação coletiva, quer até enfraquecer o próprio direito à greve”.

Jorge Pinto no frente a frente com António Filipe (Francisco Romão Pereira - RTP)

Sobre a distinção da The Economist, que considerou Portugal como a "melhor economia do ano", o deputado do Livre afirmou que “esses indicadores valem o que valem” e defendeu um modelo económico caracterizado por uma aposta “na ciência, na tecnologia, na inovação, pelo alto valor acrescentado, pelos altos salários”.

Quanto à lei da eutanásia, os dois candidatos a Belém concordaram que não precisa de voltar à Assembleia da República.

O comunista considerou que “as inconstitucionalidades são expurgáveis por via de regulamentação”, e disse que, apesar de discordar da morte medicamente assistida, respeita a decisão do parlamento.

Se fosse chefe de Estado, António Filipe teria promulgado a lei e perguntado ao Governo quando vai regulamentá-la.

Jorge Pinto defendeu que a lei deve ser regulamentada e não ficar “na gaveta por inação por parte do Governo”.

No que toca à União Europeia, o antigo deputado do PCP afirmou-se patriota e não “eurodependente”.

“Eu creio que Portugal naturalmente tem que respeitar os compromissos internacionais que tem, mas tem que ter uma voz própria nas organizações internacionais em que participa e não aceitar criticamente tudo aquilo que vem da União Europeia”, sustentou.

António Filipe no frente a frente com Jorge Pinto (Francisco Romão Pereira - RTP)

O deputado do Livre assumiu-se como “um europeísta crítico, não um euroseguidista”, e salientou que “ser patriota hoje é querer ter uma voz dentro do projeto europeu, porque é a única maneira de ter uma voz autónoma neste mundo multipolar”.

A guerra da Ucrânia foi outro dos assuntos que opôs estes dois candidatos à esquerda.

“O que me surpreende é que não esteja ao meu lado no que diz respeito à Ucrânia, onde também há um invasor e há um invadido com toda a clareza. E eu nunca ouvi da parte do António Filipe a firmeza que tem ao atacar e a criticar os opressores noutros cenários e que não tem em relação a Putin e à Ucrânia”, criticou Jorge Pinto.

“Em relação à Ucrânia, a minha posição é nem Putin nem Zelensky”, respondeu António Filipe, considerando que a União Europeia “está a encontrar pretextos para tentar continuar a guerra”.

Uma possível convergência à esquerda foi outro dos temas abordados neste debate, com António Filipe a considerar que, quando António José Seguro avançou, a “ideia de que poderia haver uma candidatura capaz de ganhar à primeira volta tornou-se imaginária” e recusou o voto útil, sustentando que não se pode “condicionar o voto dos eleitores pelo medo”.

Jorge Pinto advogou que está a “fazer um enormíssimo favor às esquerdas”, pois acredita que vai buscar votos aos indecisos e que iriam acabar por votar em Gouveia e Melo.

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