Esta posição surge depois de, num debate transmitido pelas rádios Antena 1, Renascença, TSF e Observador, Jorge Pinto, ao contrário do que fizeram Catarina Martins e António Filipe, não ter dito taxativamente se pretendia desistir ou não até dia 18 de janeiro
O candidato presidencial Jorge Pinto assegurou este sábado que não vai desistir antes das eleições do dia 18 de janeiro, argumentando que “os portugueses merecem poder votar em quem fala para eles”.
“Não vou desistir. Por uma razão muito simples, porque os portugueses merecem poder votar em quem fala para eles, merecem votar em quem é menos do mesmo, mas é para melhor, porque mudar para pior é fácil, mudar para melhor é que é mais difícil, exige mais paciência”, afirmou, após ser questionado sobre se vai até ao fim nestas eleições presidenciais.
Esta posição surge depois de, num debate transmitido pelas rádios Antena 1, Renascença, TSF e Observador, Jorge Pinto, ao contrário do que fizeram Catarina Martins e António Filipe, não ter dito taxativamente se pretendia desistir ou não até dia 18 de janeiro, limitando-se a afirmar que vai “estar na corrida” a Belém.
Em declarações aos jornalistas, após uma visita ao Coletivo Plugg, em Ponta Delgada, Açores, defendeu que a sua campanha tem incorporado "vozes novas que se afirmam pela decência, empatia, pelo amor até", numa tentativa de contrariar o foco no ódio e na violência, sublinhando que este cenário não reflete o país que conhece.
O candidato presidencial disse também que fez esforços até à última hora para que houvesse uma “candidatura agregadora” e que também por isso foi o último a anunciar que se candidatava, acrescentando que concorre para preencher um espaço da esquerda progressista, regionalista, europeísta, cosmopolita e ecologista.
Referindo o exemplo do novo presidente de Nova Iorque, Zohran Mamdani, Jorge Pinto considerou que esse tipo de “boas surpresas podem acontecer também em Portugal”, sublinhando que a sua candidatura pode ter um resultado surpreendente na noite eleitoral de 18 de janeiro.
O candidato argumentou ainda que o “país está à direita como nunca esteve” e que é “essencial haver um contrapeso democrático na Presidência da República”, acrescentando que isso não significa uma intromissão do chefe de Estado no trabalho do parlamento ou do Governo, mas sim uma garantia de que não há abusos ou ataques à Constituição.
“Não é por acaso que eu tenho trazido para cima da mesa esta vontade ou esta clareza de dissolver a Assembleia da República caso haja a tentação de haver uma revisão drástica da nossa Constituição feita apenas à direita e sem que os portugueses tenham sido tidos ou achados nessa revisão. Isto é um perigo, é um risco de uma golpada que nós temos perante nós durante esta legislatura”, frisou.
Jorge Pinto voltou a referir a situação na Venezuela para insistir que esteve em causa um ataque ilegal e defender a democracia plena, a autodeterminação dos povos e o direito internacional, afirmando que não quer “regressar ao século XIX, em que há uma série de impérios espalhados pelo mundo, cada um com a suas zonas de influência e as suas zonas de conquista”.
“Quando é que nós vamos abrir os olhos? Quando a Gronelândia for invadida? É quando os Açores estiverem em risco? Não sabemos o que está na cabeça destes líderes autoritários. E, precisamente por não sabermos, é que eu quero que nós consigamos construir uma solução já”, disse, apelando à criação de uma comunidade europeia de defesa que “seja intransigente na defesa do direito internacional e dos direitos humanos”.
O candidato a Belém abordou ainda, depois de ser questionado sobre essa matéria, a suspensão do pagamento do Subsídio Social de Mobilidade (SSM) para os residentes nos Açores e na Madeira, considerando que essa é uma “quebra trágica” que precisa de ser solucionada o mais brevemente possível.
Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde. Caso nenhum deles consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta a 08 de fevereiro entre os dois mais votados.