Luís Marques Mendes acusou João Cotrim de Figueiredo de lhe ter dirigido "um ataque pessoal muito feio" ao sugerir que foi pressionado pela candidatura de Marques Mendes para desistir da corrida às presidenciais. Cotrim defendeu-se, reiterando que foi pressionado por "apoiantes destacados de Luís Marques Mendes", mas sem apontar nomes
O candidato presidencial Luís Marques Mendes acusou este domingo João Cotrim Figueiredo de lhe ter feito um “ataque pessoal muito feio”, nomeadamente quando se queixou de pressões - um "entrada ao ataque" que o adversário tomou como "um elogio".
Os dois candidatos estiveram este sábado frente a frente num debate na TVI e na CNN Portugal, a propósito das eleições presidenciais de 18 de janeiro.
No arranque do debate, Luís Marques Mendes queixou-se de ter sido “vítima de um ataque pessoal muito feio, muito lamentável” de João Cotrim Figueiredo, por o candidato apoiado pela IL ter dito numa entrevista ao Expresso que foi pressionado pela candidatura de Marques Mendes para desistir.
O antigo líder do PSD pediu ao eurodeputado da IL que esclarecesse publicamente quem o pressionou, defendendo que “não se fazem acusações desta gravidade sem apresentar provas e sem apresentar fundamentos”.
“O senhor comporta-se como uma espécie de André Ventura envergonhado, porque faz acusações e não as prova. E isso não o recomenda para Presidente da República, até o desqualifica”, criticou.
João Cotrim Figueiredo referiu que nunca disse que a pressão tenha vindo diretamente de Marques Mendes, mas recusou nomear quem lhe terá pedido para desistir. O liberal reiterou que se trataram de “apoiantes destacados de Luís Marques Mendes”, que presumiu “que faziam parte da sua candidatura” e estavam autorizados pelo candidato.
O candidato apoiado pela IL considerou igualmente que o adversário deu “extrema importância” a este assunto, e não fez o mesmo quanto Gouveia e Melo se queixou de pressões.
“Luís Marques Mendes acha que a minha candidatura é muito mais perigosa para si do que a de Gouveia e Melo”, comentou.
João Cotrim Figueiredo contrapôs ainda que os portugueses querem transparência por parte do Presidente da República e referiu que “toda a [sua] vida profissional” está publicada, enquanto no caso de Marques Mendes, vai sair um livro que resume “os 18 anos desde que saiu do Governo, até hoje, em cinco páginas”.
O antigo líder da IL salientou também que, apesar de não ter tanta experiência política como o adversário, tem “uma visão relativamente à sociedade portuguesa e àquilo que deve ser o seu futuro muitíssimo mais moderna e arejada do que a maior parte dos outros candidatos”.
Cotrim defendeu igualmente que Luís Marques Mendes “privilegia a prudência em tempos de mudança”, mas “a prudência pode ser igual a medo da mudança”.
“Eu ouço muitas vezes o Luís Marques Mendes falar de estabilidade, mas estabilidade, na atual situação, é estagnação”, acrescentou, com o adversário a sublinhar que as suas prioridades são “estabilidade e ambição”.
Antes, o antigo ministro tinha defendido que o “Presidente da República tem um poder mediador e tem que ser moderado, mas não é ser mole, nem é ser frouxo, é ser firme”.
Ao longo do debate, foram ficando vincadas as diferenças de opinião entre os dois em diversos temas.
João Cotrim Figueiredo criticou a proposta de Marques Mendes de incluir um jovem no Conselho de Estado, considerando que “não é isso que vai dar destaque à juventude”, com o social-democrata a sublinhar a importância deste órgão e referir que é uma “oportunidade para dar voz aos jovens”.
Confrontados com as alterações à lei laboral, os dois discordaram também sobre a postura que os candidatos devem adotar, com o liberal a dizer que promulgaria, mesmo não concordando com tudo, e Luís Marques Mendes a preferir pronunciar-se no final do processo legislativo, apelando ao “equilíbrio e a diálogo social”.
Para combater a pobreza, os dois concordam que é preciso crescimento económico, mas Marques Mendes considerou que não se pode esperar que “o mercado vá resolver os problemas dos idosos, dos pensionistas e dos reformados com pensões de 300, 400 ou 500 euros”.
Luís Marques Mendes criticou também propostas já defendidas pela IL, como a taxa única de IRS ou a privatização da Caixa Geral de Depósitos.