Cotrim de Figueiredo avisa que não vai endossar nenhum candidato na segunda volta e acusa Montenegro de "não estar à altura do legado de Francisco Sá Carneiro"

18 jan, 23:19
João Cotrim de Figueiredo (António Pedro Santos/Lusa)

Cotrim de Figueiredo ocupa o terceiro lugar nas presidenciais deste domingo, tendo ficando a cerca de 500 mil votos da segunda volta

Depois de uma noite eleitoral que confirmou um terceiro lugar para a sua candidatura, João Cotrim de Figueiredo lamentou não estar na segunda volta das eleições presidenciais e deixou claro que não irá recomendar o voto em nenhum dos candidatos apurados. O antigo líder liberal traçou um cenário político preocupante e apontou responsabilidades diretas à liderança do PSD.

“Não estarei na segunda volta e, por isso, conforme fui alertando, os portugueses serão confrontados nesta segunda volta com uma péssima escolha entre António José Seguro e André Ventura”, afirmou. Cotrim de Figueiredo sublinhou que, “embora hoje exista em Portugal uma maioria social de centro-direita, é provável que venhamos a ter um Presidente da República oriundo do Partido Socialista”, situação que, segundo sublinhou, “ficará a dever-se exclusivamente a um erro estratégico da liderança do PSD”.

As críticas a Luís Montenegro foram diretas. “Luís Montenegro, apesar das evidências e do apelo que lhe fiz, não pôs o interesse do país à frente do interesse do seu próprio partido. Não esteve à altura do legado de Francisco Sá Carneiro”.

Sobre a segunda volta, foi inequívoco. “É uma boa altura para afirmar desde já, que não tenciono endossar ou recomendar o voto em qualquer um dos candidatos na segunda volta. Os eleitores que me confiaram o voto hoje, fizeram-no livremente e deverão poder fazê-lo outra vez na segunda volta”, acrescentando que “confio plenamente e respeitarei totalmente essa sua decisão”.

Apesar do desfecho eleitoral, Cotrim de Figueiredo defendeu que a campanha deixou marcas. “Esta campanha mostrou que há espaço em Portugal para uma política diferente. Uma política que é séria, mas não é aborrecida. Que é exigente, mas não é insensível. Uma política que encara o futuro sem medo.” E deixou um aviso: “Apesar do resultado, ninguém pode apagar o que foi feito e voltar a fechar o caminho que hoje se abriu”.

O candidato reconheceu ainda o desaire eleitoral e assumiu responsabilidades. “Não passei à segunda volta destas eleições. Em conformidade já liguei a António José Seguro e André Ventura para os felicitar por essa passagem das eleições que terão lugar a 8 de fevereiro”, referiu, assumindo que “este é um resultado que assumo como uma derrota pessoal”.

Sob fortes aplausos de uma casa cheia, o liberal não deixou o palco sem deixar uma nota de esperança. “Hoje não tem de ser um fim, pode muito bem ser o princípio de um caminho que se abriu para que alguém o possa trilhar”. Cotrim de Figueiredo ficou em terceiro lugar nas presidenciais deste domingo, tendo ficando a cerca de 500 mil votos da segunda volta.

Presidenciais 2026

Mais Presidenciais 2026