Esta "é uma eleição entre um político que à esquerda é talvez o mais próximo do centro e um político que está à direita da direita e que se junta ao extremismo e, portanto, eu não tenho nenhuma dúvida sobre qual é a escolha", diz o comentador da TVI
Para Paulo Portas, a decisão sobre quem vai votar na segunda volta das eleições é uma "escolha fácil": "Eu votarei no candidato moderado, como votaria em qualquer moderado que não foi aprovado na primeira volta, se tivesse passado", disse no Global, o seu espaço de comentário no Jornal Nacional da TVI, sublinhando: "Sei muito bem em quem nunca votaria para Presidente da República."
"Nós estamos a eleger o chefe de Estado, não estamos a eleger nem deputados nem governo", explicou Portas. "A missão essencial do chefe de Estado é unir o país, é representar o melhor de nós. Unir a nação. Não me parece de todo que o outro candidato, aquele que grita muito, fosse para a Presidência da República unir o que quer que fosse, porque ele só sabe dividir, pôr uns contra os outros, dividir a nação em tribos, em raças, em etnias, em confissões religiosas, e isso é o contrário do que um Presidente deve fazer", justificou-se, sem nunca referir o nome de André Ventura ou o partido Chega.
"O Presidente da República é relevante na política externa portuguesa e eu não quero um Presidente da República de fação, por exemplo com os países de expressão portuguesa, seja na América Latina seja de África. Eu não quero os comportamentos que eu vi na Assembleia da República quando somos visitados por ou vamos visitar chefes de estado. Não pode ser. A política externa não é de partido, é da nação", disse.
"A outra função do Presidente da República é ser comandante supremo das forças armadas. Há uns anos, fiquei muito surpreendido quando vi este partido extremado defender que os polícias podiam ter filiação partidária. Isso não é polícia, é milícia. E eu não quero milícias dentro das forças armadas. As forças armadas são da nação, não são de fação", acrescentou.
Paulo Portas deu ainda mais um motivo para votar em Seguro: "Com António José Seguro terei certamente divergências partidárias. Mas com o outro candidato terei divergências de outra natureza, que têm a ver com o humanismo, que pode ser cristão ou laico. Eu não olho para o ser humano como esse outro candidato olha. Nós já temos Trump à frente dos EUA e, portanto do Ocidente, escusamos de ter uma imitação de Trump em Portugal".
"António José Seguro foi uma pessoa decente, um político decente, num momento muito difícil para Portugal que foi o da intervenção da Troika, quando fomos à falência. Acho que sem a ajuda dele não teríamos conseguido fazer o acordo com a UGT na concertação social, nem a reforma laboral que criou imensos empregos, nem a baixa do IRC. Ele foi desalojado de líder do Partido Socialista pelo António Costa: eu não acho isso um título de fraqueza. Ele era de um PS moderado", recordou o comentador.
Na sua opinião, esta não é, como alguns dizem, uma eleição entre esquerda e direita, "é uma eleição entre um político que à esquerda é talvez o mais próximo do centro e um político que está à direita da direita e que se junta ao extremismo e, portanto, eu não tenho nenhuma dúvida sobre qual é a escolha".