Hoje é o Dia Mundial da Preguiça — e talvez este seja o lembrete perfeito para desacelerarmos.
Vivemos tempos em que ser produtivo parece uma obrigação e estar ocupado é quase um distintivo de valor. No entanto, experimentar o tédio, o silêncio e o ócio é essencial.
Encher todos os minutos com tarefas, estímulos e distrações impede-nos de aceder a uma dimensão profunda da nossa criatividade, da nossa serenidade e da nossa relação connosco mesmos. O mesmo vale para as crianças: permitir que experimentem o tédio, sem que isso signifique abandono ou desatenção.
O tédio — esse espaço vazio entre um fazer e outro — é essencial para sermos uma boa companhia para nós próprios. Dar tempo ao “não fazer nada” é dar espaço ao pensamento, à imaginação e à escuta interior.
Hoje, há uma pressão social constante para estar sempre a fazer algo, para aproveitar cada segundo de forma “produtiva”. Multiplicam-se as ofertas de entretenimento, os cursos, os vídeos, as notificações. Mas, paradoxalmente, quanto mais estímulos recebemos, mais facilmente nos entediamos. O ritmo constante de novidades torna o silêncio quase insuportável — e o ócio, um luxo incompreendido.
Se não resistirmos a esse impulso de estar sempre ocupados, corremos o risco de criar — e de nos tornarmos — adultos frenéticos, pouco criativos, que só se sentem “vivos” quando há algo a fazer.
Quando tudo se move a um ritmo acelerado, qualquer pausa parece desconfortável. E, no entanto, é precisamente aí — no intervalo, na lentidão — que mora a possibilidade de descansar, pensar e recriar.
Não se trata de fazer uma cruzada contra a tecnologia ou o progresso, mas de reconhecer que o virtual e o real precisam de equilíbrio.
O mundo digital oferece estímulos constantes, automáticos, sem pausas para a escolha, o erro ou o tédio. Por isso, tudo o que é mais lento — o livro, o olhar, o silêncio — parece aborrecido. Mas é nesse “aborrecimento” que o tempo se dilata e a consciência desperta.
“Mãe, pai, não tenho nada para fazer!” — quantas vezes também nós, adultos, sentimos o mesmo?
Talvez a resposta não seja procurar imediatamente algo que nos distraia, mas aprender a estar nesse vazio. A não fazer nada — e a perceber o que daí pode nascer.
Há uma linha ténue entre “não fazer nada” e “não ter nada para fazer”. O primeiro é liberdade. O segundo, desorientação. Cabe-nos reaprender a primeira forma: a do ócio como espaço criativo, do silêncio como alimento da mente, e do tédio como ponto de partida para o novo.
Neste Dia Mundial da Preguiça, que tal fazer do tempo um presente? Desligar por um instante, respirar fundo, e simplesmente estar. Vamos fazer deste o tempo… para ter tempo.