Gasolineiras não esperaram nem um dia: aumentaram os preços da gasolina e do gasóleo em Portugal de imediato
Os preços de venda ao público dos combustíveis em Portugal já aumentaram esta segunda-feira, antecipando os efeitos da subida do petróleo provocada pela guerra entre os Estados Unidos e o Irão. Os dados são oficiais.
O preço médio de venda de um litro de gasóleo simples foi de 1,63 euros, um aumento de 3,4 cêntimos face a domingo. Este é o preço mais alto desde o final de novembro. No gasóleo especial, a subida foi de 3,7 cêntimos de um dia para o outro, para um preço médio de 1,658 euros por litro.
Já um litro de gasolina simples foi vendido, em média no território português, ao preço de 1,703 euros, um aumento de 2,2 cêntimos face à véspera. Curiosamente, a gasolina 98 – a mais cara – foi a que menos variou, apenas meio cêntimo, para um PVP de 1,871 euros.
Os dados são da Direção Geral de Energia e Geologia, que publica todos os dias os preços médios de venda ao público da véspera.
Tipicamente, os preços em Portugal sofrem alterações às segundas-feiras, mas não há nenhuma regra nesse sentido: os preços são livres, podem variar todos os dias e de forma independente em cada marca e em cada posto de abastecimento.
Neste caso, parece haver uma relação direta com a instabilidade no Médio Oriente, que já levou ao aumento do preço internacional do petróleo: o índice Brent subiu esta segunda-feira para a casa dos 80 dólares por barril.
Para os analistas, a questão determinante para a evolução do preço do petróleo está na duração da guerra e também no Estreito de Ormuz, a rota petrolífera mais importante do mundo, que ontem foi declarada "fechada" pela Guarda Revolucionária do Irão, que garantiu que as forças iranianas atacarão qualquer navio que tente passar pelo estreito.
Fonte do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) desmentiu mais tarde esta informação, garantindo que o Estreito de Ormuz não está encerrado.
Segundo estimativas dos serviços secretos americanos, o Irão tem cerca de 6.000 minas que pode implantar no Estreito de Ormuz: minas à deriva, minas de fixação magnética, minas de fundo e minas ancoradas.
O que é o Estreito de Ormuz e porque é tão importante?
Em termos de economia mundial, há poucos sítios tão importantes do ponto de vista estratégico. A via navegável, situada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, tem apenas 33 quilómetros de largura no seu ponto mais estreito. É a única forma de transportar o crude do Golfo Pérsico, rico em petróleo, para o resto do mundo. O Irão controla o seu lado norte.
Cerca de 20 milhões de barris de petróleo, cerca de um quinto da produção global diária, passam pelo estreito todos os dias, de acordo com a Administração de Informação sobre Energia dos EUA (EIA), que considerou o canal um “ponto crítico de estrangulamento do petróleo”.
A influência geográfica sobre o transporte marítimo global dá ao Irão a “capacidade de causar um choque nos mercados petrolíferos, fazer subir os preços do petróleo, fazer subir a inflação, fazer colapsar a agenda económica de Trump”, afirmou à CNN Mohammad Ali Shabani, especialista em Irão e editor do canal de notícias Amwaj.
Quando se trata de transportar petróleo, o Estreito é, na verdade, muito mais estreito do que a sua largura oficial de 33 quilómetros. As rotas de navegação para os enormes superpetroleiros têm apenas cerca de três quilómetros de largura em cada direção, exigindo que os navios passem pelas águas territoriais iranianas e omanenses.
O encerramento do Estreito seria particularmente prejudicial para a China e outras economias asiáticas que dependem do petróleo bruto e do gás natural transportados através da via navegável. A EIA calcula que 84% do petróleo bruto e 83% do gás natural liquefeito que passaram pelo Estreito de Ormuz em 2024 se destinaram aos mercados asiáticos.
A China, o maior comprador de petróleo iraniano, abasteceu-se de 5,4 milhões de barris por dia através do Estreito de Ormuz no primeiro trimestre de 2025, enquanto a Índia e a Coreia do Sul importaram 2,1 milhões e 1,7 milhões de barris por dia, respetivamente, de acordo com as estimativas da EIA. Em comparação, os EUA e a Europa importaram apenas 400.000 e 500.000 barris por dia, respetivamente, no mesmo período, de acordo com a EIA.