Pragas de ratos e baratas: Lisboa esteve dois meses sem contrato para ações de prevenção nas ruas

26 ago, 07:00
Fartos de uma Lisboa suja, grupo de lisboeta juntou-se e vai limpar os bairros da capital

Autarquia admite que neste verão não houve durante algum tempo contrato com empresa de combate às pragas urbanas, mas garante que as ações preventivas foram realizadas na mesma. Entre 1 de junho e 19 agosto surgiram mais de 1800 pedidos de ajuda nas freguesias lisboetas por causa de ratazanas e baratas. Campo Ourique e Olivais entre as piores zonas

Apesar dos relatos sobre a circulação de ratazanas, baratas e percevejos pelas ruas de Lisboa serem cada vez maiores, a autarquia da capital esteve dois meses, entre junho e agosto, sem um contrato em vigor para as ações de prevenção para estas pragas. Ou seja, o contrato com a empresa que durante três anos tinha a missão de travar as pragas na capital terminou no início de junho e só agora, em agosto, entrou em vigor um novo contrato. Isto numa altura em que um grupo de cidadãos já anunciou estar a organizar para início de setembro uma operação de limpeza em alguns bairros lisboetas, por garantirem que nunca viram a cidade tão suja, ao mesmo tempo que alertam para o surgimento de “pragas de ratos e baratas nunca vistas”.

À CNN Portugal, o gabinete do vereador da CML Ângelo Pereira, que tem este pelouro, admite que naqueles meses não havia nenhuma empresa com o trabalho de prevenção de pragas adjudicado com contrato. Mas garante que as ações preventivas que estavam planeadas foram realizadas na mesma pelo “Serviço de Controlo Integrado de Pragas (SCIP), dependente da Divisão de Limpeza Urbana”, tendo a “CML igualmente contratado serviço externo para apoio e realização de operações de prevenção.

Os bairros com mais ratos e baratas

De acordo com a CML, aquele serviço camarário “deu resposta direta a 1836 solicitações desde 9 de junho, quando terminou o contrato com a Companhia Europeia de Desinfeções” – empresa que realizou esse trabalho nos últimos 36 meses. Segundo alega a autarquia, não houve interrupção dos trabalhos.

As mais de 1800 solicitações, acrescenta a CML, incluem respostas a solicitações dos munícipes para combater as infestações de ratos e baratas, e também as ações preventivas que estavam previstas serem feitas.

Em mais de dois meses, isto é, entre 1 de junho e 19 agosto, foram pedidas 1192 intervenções por causa de baratas, 356 devido a ratos e 277 tendo na origem insetos. Ou seja, por dia havia mais de 22 pedidos de ajuda devido a estas pragas urbanas.

As zonas com mais solicitações dos três tipos de praga foram: Marvila, Lumiar, Belém, Campo de Ourique e Olivais. Esta última foi, aliás, a freguesia com mais problemas de ratos e ratazanas, logo seguida de Alvalade e do Areeiro.

Os dados revelam ainda que a freguesia do Parque das Nações foi a que registou menos pedidos para problemas com ratos (3) e a de Santo António fez menos solicitações quanto a baratas (15).

Para tentar controlar as pragas urbanas, a CML tem recorrido a serviços externos por não ter técnicos especializados para o efeito. O novo contrato que entrou em vigor este mês prevê o pagamento de 552 mil euros (449 mil de valor base mais IVA) à empresa LUTHISA – Lusitana de Tratamentos de Higiene, Lda, “ que assegurará as intervenções preventivas na cidade de Lisboa durante os próximos 3 anos”.

“O concurso só foi lançado em março de 2022, que é muito perto do término do anterior concurso, o que não foi capaz de evitar a descontinuidade do serviço”, diz, por seu lado, à CNN Portugal o vereador do PS Pedro Anastácio, referindo-se ao fim do contrato anterior, feito durante a presidência da CML de Fernando Medina, que esteve em vigor desde 2019 até este ano. 

Segundo documentos a que a CNN Portugal teve acesso, o vereador do PSD Ângelo Pereira, que no executivo camarário tem este pelouro, autorizou a contratação do novo serviço a 14 de março, tendo o concurso público sido lançado na plataforma digital de contratação pública a 24 do mesmo mês. Já a proposta de adjudicação foi feita a 8 de junho.

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