Alerta foi dado depois de a mãe ter chegado ao local onde ia buscar a criança e não ter visto a filha. Polícia Judiciária foi acionada para o caso
Só quando a mãe de uma menina de 18 meses perguntou pela filha é que soou o alarme. Ninguém sabia onde estava a criança que devia ter entrado na creche pouco depois das 08:00 para sair pelas 15:00.
Só que nada disso chegou a acontecer. Todo esse período de sete horas foi passado num carro num dia em que, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), os termómetros chegaram perto dos 30 graus.
Alerta dado, os responsáveis do Colégio Mestre Cuco saíram a correr para o carro de onde a bebé não saiu o dia inteiro.
Encontraram-na já em estado grave e ainda partiram o vidro do carro, que pertence a uma das funcionárias da creche, para deixar entrar ar. Chamaram socorro, mas os esforços de PSP e INEM não impediram uma paragem cardiorrespiratória fatal para a criança.
O que se passou, sabe a CNN Portugal, é que a funcionária que faz o transporte das crianças que frequentam a creche se esqueceu da menina dentro do veículo.
Apanhou-a no local do costume em Almada e seguiu para o Pragal, no mesmo concelho. Era lá que devia ter ficado a criança, mas não ficou.
De resto, a mãe percebeu isso mesmo quando chegou ao local combinado para ir buscar a filha.
Informada de que a menina não estava no local, ligou à creche do Pragal, que a informou de que a criança nunca tinha chegado à escola, um dos três estabelecimentos do Colégio Mestre Cuco, naquele dia.
Estava, como já sabemos, dentro de um carro parada na Avenida do Cristo Rei, também em Almada, a cerca de cinco minutos de carro do local onde era suposto ter sido deixada.
Assim que a mãe e as funcionárias do estabelecimento de ensino se aperceberam do que podia ter acontecido acorreram de imediato ao carro. Lá dentro estava o ovo ainda com a menina, mas já num estado que se revelou irreversível.
O alerta foi depois dado às 15:53 para uma criança em paragem cardiorrespiratória. Segundo o comandante dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas, o alerta chegou através do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e a corporação demorou cerca de cinco minutos a chegar ao local.
À chegada dos bombeiros, encontravam-se já no local elementos da PSP e da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER). O vidro da viatura estava partido e os operacionais ainda colaboraram nas manobras de reanimação da criança, mas já não foi possível reverter a situação.
Em comunicado, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) adianta que mobilizou para o local os Bombeiros Voluntários de Cacilhas, uma VMER e a Unidade Móvel de Intervenção Psicológica de Emergência (UMIPE). "À chegada ao local, foram iniciadas de imediato manobras de reanimação. Apesar dos esforços das equipas, não foi possível reverter a situação, tendo o óbito sido verificado no local", refere o INEM.
As circunstâncias da morte da criança motivaram o acionamento da Polícia Judiciária, que está a investigar o caso em coordenação com a PSP.
