Xi Jinping pede "espírito de luta indomável" à China enquanto elogio o que aconteceu em Tiananmen

CNN , Sylvie Zhuang
17 ago, 08:01
Membros do Exército de Libertação Popular caminham em frente a uma grande bandeira do partido durante uma visita ao Museu do Partido Comunista, no 105.º aniversário da fundação da organização, em 1921, a 1 de julho de 2026, em Pequim, China (Kevin Frayer/Getty Images)
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Rara referência a um dos episódios mais polémicos da China marcou o discurso do presidente

O líder chinês Xi Jinping apelou ao seu povo para demonstrar um “espírito de luta indomável” num discurso otimista feito esta segunda-feira, no qual também elogiou a decisão do Partido Comunista Chinês de reprimir os protestos pró-democracia na Praça Tiananmen.

Xi fez os comentários num discurso histórico que assinalou o centenário do nascimento de um dos seus antecessores - Jiang Zemin, que liderou a China de 1993 a 2002, tendo morrido em 2022.

Dirigindo-se a milhares de autoridades e delegados no Grande Salão do Povo, retratou a China como um país que enfrenta tempos difíceis, mas que sairá ileso.

“Com um espírito de luta indomável e capacidades excecionais, enfrentaremos ativamente os grandes desafios, sejam eles mares revoltos ou mesmo tempestades furiosas”, disse.

“[Devemos] defender resolutamente a nossa soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento, escrevendo assim um novo capítulo nos dois grandes milagres do rápido desenvolvimento económico e da estabilidade social a longo prazo.”

Numa demonstração da importância do discurso, todos os sete membros do poderoso Comité Permanente do Politburo da China, juntamente com líderes reformados do partido e do Estado, estiveram presentes, de acordo com imagens da CCTV.

Repressão estudantil

A ascensão de Jiang ao poder começou no meio do tumulto dos protestos pró-democracia na Praça Tiananmen, em 1989, que foram brutalmente reprimidos pelas tropas chinesas, num dos temas políticos mais sensíveis da China continental.

No seu discurso de 45 minutos, Xi Jinping elogiou uma longa lista de conquistas de Jiang, incluindo uma rara menção aos protestos pró-democracia na Praça Tiananmen, exaltando a decisão final do Partido Comunista de rejeitar as exigências dos manifestantes e desocupar a praça com tropas e tanques.

“Entre a primavera e o verão de 1989, a China viveu uma grave agitação política. O camarada Jiang Zemin apoiou e implementou resolutamente as decisões corretas do Comité Central, mantendo efetivamente a estabilidade em Xangai”, disse Xi.

Os protestos começaram em abril, desencadeados pela morte do antigo líder do Partido Comunista Chinês, Hu Yaobang, aos 73 anos. Visto pelo público como um defensor da liberalização, Hu tinha sido deposto dois anos antes, e a sua morte, a 15 de abril, foi amplamente lamentada.

Dias depois, milhares de estudantes enlutados marcharam por Pequim, exigindo um governo mais democrático em homenagem a Hu. Os manifestantes reuniram-se na Praça Tiananmen, e o seu número cresceu ao longo de várias semanas até 4 de junho, quando as tropas do Exército de Libertação Popular abriram fogo sobre eles.

Jiang tornou-se inesperadamente secretário-geral do Partido Comunista logo após a repressão, em parte porque a pessoa que substituiu, Zhao Ziyang, era vista como excessivamente simpática para com os manifestantes. Em 1993, era o líder incontestável da China.

A contribuição de Jiang para apoiar a decisão dos governantes do partido de reprimir os protestos foi também mencionada num documentário de 12 episódios exibido pela CCTV na semana passada para homenagear a vida de Jiang, mas nenhuma imagem dos assassíinos que chocaram o mundo foi exibida. Estas imagens são rotineiramente apagadas da internet chinesa, fortemente censurada, e discutir o sucedido continua a ser arriscado até hoje.

Durante o governo de Jiang, a economia chinesa avançou rapidamente e abriu-se ao mundo, culminando com a entrada do país na Organização Mundial do Comércio - com o apoio dos EUA - em 2001.

Seguiu-se um período de intenso crescimento económico, com a melhoria das relações entre os EUA e a China. No entanto, nos últimos anos, os laços bilaterais deterioraram-se, marcados por frequentes tensões comerciais recíprocas e crescentes rivalidades geopolíticas.

O segundo encontro de Xi com o presidente norte-americano, Donald Trump, está agendado para o final de setembro, altura em que os dois líderes deverão discutir as relações comerciais, a inteligência artificial e Taiwan, entre outros assuntos.

No seu discurso desta segunda-feira, também transmitido e divulgado pelos meios de comunicação estatais, Xi Jinping exaltou as conquistas do país, afirmando que “a vida das pessoas continua a melhorar”, mesmo com dados que mostram uma desaceleração do crescimento económico.

“As perspetivas para o grande rejuvenescimento da nação chinesa são promissoras, e o sonho pelo qual várias gerações lutaram com uma determinação inabalável está gradualmente a tornar-se realidade”, acrescentou.

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