Junta de São Bernardo suspende colaboração com associação acusada de ser "pró-russa"

Agência Lusa
3 mai, 19:04
Louisa Gouliamaki/AFP

A decisão foi aunciada em comunicado, onde a Junta admite que não existem "provas concretas" que determinem a veracidade da acusação

A Junta de São Bernardo, em Aveiro, suspendeu a colaboração com a Associação de Apoio ao Imigrante (AAI), sediada nas suas instalações.

A informação surgiu após a Associação dos Ucranianos em Portugal (AUP) ter denunciado a existência de várias associações em Portugal a acolher refugiados ucranianos e que estão ligadas a organizações do estado russo, dando como exemplo a associação com sede em São Bernardo

Embora a Junta não tenha "provas concretas" para confirmar ou desmentir estas afirmações, prontamente rejeitadas pela coletividade, o executivo liderado por Henrique Vieira (PSD/CDS/PPM) decidiu suspender a atividade da AAI nas suas instalações.

"Neste momento, devido a toda as suspeitas levantadas o executivo decidiu suspender a atividade da Associação na Junta de Freguesia. Até que tudo se esclareça, esta é a nossa posição”, refere um comunicado da Junta de São Bernardo.

Na mesma nota, a Junta esclarece que toda a atividade da AAI foi sempre autónoma e que, nos últimos 10 anos, a presença da associação em São Bernardo foi “pontual”.

Associação descarta acusações

Em declarações à Lusa, a presidente da AAI, Lyudmila Bila, negou ter qualquer colaboração com a Embaixada da Rússia ou com a Embaixada da Ucrânia, em Portugal. “Somos autónomos. Não temos colaborações com embaixadas. Só trabalhamos com o Alto Comissariado para as Migrações”, afirmou.

Esta cidadã ucraniana referiu ainda que espera que a decisão da Junta de São Bernardo de suspender a atividade da AAI nas suas instalações seja temporária.

A líder da AAI garantiu ainda a continuidade do projeto educativo das aulas de português para refugiados ucranianos da associação, que estão a decorrer aos sábados à tarde na Escola n.° 1 de São Bernardo, envolvendo cerca de 35 alunos.

Na passada sexta-feira, em entrevista à SIC Notícias, o presidente da AUP, Pavlo Sadokha, disse que em Aveiro há uma organização de apoio ao imigrante, com Lyudmila Bila, que “também faz parte destas organizações pró-russas”.

Câmara já se tinha demarcado

Posteriormente, o presidente da Câmara de Aveiro, Ribau Esteves, afirmou a várias estações de televisão ter informações de que a associação com sede em São Bernardo é “pró-russa”.

“Temos informações de que essa associação tem relações com a Rússia. É uma associação pró-russa”, referiu Ribau Esteves, assegurando ainda que desde que foi eleito, a Câmara de Aveiro não concedeu qualquer apoio a esta associação, embora o tenha feito no tempo do seu antecessor, Élio Maia.

Em declarações à Lusa, o autarca lembrou que foi o primeiro político português a alertar que, no acolhimento aos refugiados, nem todos são pró-ucranianos, afirmando que havia em Aveiro cidadãos ucranianos a apoiar a chegada de refugiados que eram pró-russos.

Ribau Esteves esclareceu ainda que a autarquia tem como interlocutor da comunidade ucraniana um padre ortodoxo no acolhimento aos refugiados.

“Nós, em Aveiro, temos um interlocutor da comunidade ucraniana, o padre Vazil, pessoa a quem reconhecemos idoneidade e credibilidade e que nos ajuda a referenciar interlocutores complementares credíveis”, explicou.

A AAI foi criada em 2001, na Junta de São Bernardo, com o propósito de integração dos imigrantes de leste.

Segundo informação disponibilizada na sua página na internet, a associação conta atualmente com 2.600 sócios de diversas origens e está aberta a todas as nacionalidades.

A AAI tem como papel principal facultar os direitos e deveres aos recém-chegados imigrantes para facilitar e agilizar a sua integração na sociedade.
 

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