Portugal chama embaixador iraniano para transmitir "a mais firme condenação e repúdio" por execuções e repressão de protestos

Agência Lusa , RL
10 jan, 19:15
Protestos no Irão (ALIREZA MOHAMMADI / isna / AFP)

Embaixador iraniano em Lisboa foi novamente chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros

O Governo português chamou esta terça-feira novamente o embaixador do Irão em Lisboa para transmitir “a mais firme condenação e repúdio” pela execução de mais dois cidadãos iranianos, na sequência dos protestos que assolam aquele país desde setembro.

“O Embaixador iraniano em Lisboa [Morteza Damanpak Jami] foi hoje, 10 de janeiro, novamente chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. Foi-lhe transmitida a mais firme condenação e repúdio do Governo português pela execução de mais dois cidadãos iranianos, Mohammad Mehdi Karami e Seyed Mohammad Hosseini, os quais participaram nos protestos em curso no Irão desde setembro”, lê-se num comunicado do ministério tutelado por João Gomes Cravinho.

“O Governo português manifestou igualmente profunda preocupação com o facto de outros cidadãos iranianos terem, entretanto, sido condenados à pena capital naquele país. Portugal reitera a sua incondicional oposição à aplicação da pena de morte em todas as circunstâncias”, acrescenta-se no documento.

Morteza Jami já tinha sido chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros português a 29 de setembro de 2022, dia em que o diretor-geral de Política Externa (DGPE) do MNE, Rui Vinhas, expressou a condenação de Lisboa pelo "uso desnecessário e desproporcionado da força contra manifestantes pacíficos". 

A agência Lusa pediu um comentário à embaixada do Irão em Lisboa, mas, até agora, não obteve qualquer resposta.

Com a chamada do embaixador em Lisboa, Portugal junta-se a grande parte da comunidade internacional, sobretudo ocidental, que também tem condenado as prisões, sentenças de penas de morte e execuções de manifestantes que protestam contra o regime teocrático do ayatollah Ali Khamenei.

Os protestos e manifestações foram desencadeados na sequência da morte, a 16 de setembro de 2022, da jovem curda Mahsa Amini, detida três dias antes pela polícia dos costumes por suposto uso indevido do ‘hijab’, o véu islâmico, violando desta forma o rígido código de vestuário imposto pelo Irão.

Nos últimos dias, Estados Unidos, União Europeia (UE) e mais de uma dezena de países europeus também chamaram os embaixadores ou encarregados de negócio iranianos para protestar e condenar a repressão imposta pelas autoridades iranianas.

O Irão soma já 18 condenações à morte e quatro execuções desde que se iniciaram os protestos.

Além disso, a forte repressão policial para tentar impedir as manifestações fez até agora mais de 500 mortes e quase 20.000 detenções em todo o país.

As autoridades enforcaram a 08 de dezembro Mohsen Shekari, de 23 anos, por ter "ferido um guarda miliciano islâmico (basiji) com uma arma branca, bloqueado uma rua e criado terror em Teerão".

Quatro dias depois, foi executado em público um segundo manifestante, Majid Reza Rahnavard, condenado pelo assassínio de dois agentes de segurança.

No sábado passado, foram executados Mohammad Mehdi Karami e Mohammad Hosseini pelo alegado assassínio de um guarda miliciano islâmico.

A União Europeia aprovou já três pacotes de sanções contra o Irão pelas execuções e pela repressão sobre os manifestantes.

Países como a França, Reino Unido, Alemanha, Noruega, Dinamarca, Bélgica e Países Baixos também já convocaram os embaixadores do Irão nos seus países.

 

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