Costa: participação de Portugal na feira da Hannover pretende “construir futuro da cooperação industrial”

Agência Lusa , AM
30 mai, 06:46

Posição é explicada pelo primeiro-ministro num editorial, publicado esta segunda-feira, no qual lembra o "caminho virtuoso" percorrido pela indústria portuguesa e a liderança portuguesa na transição climática

O primeiro-ministro sustentou hoje que a participação de Portugal na feira de Hannover, na qual foi escolhido como país parceiro, “pretende construir o futuro da cooperação industrial e da prosperidade conjunta no espaço europeu”.

“A nossa participação em Hannover pretende construir o futuro da cooperação industrial e da prosperidade conjunta no espaço europeu. A dupla transição climática e digital é a primeira grande da transformação estrutural para a qual Portugal parte bem preparado”, lê-se num editorial de António Costa esta segunda-feira publicado no jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung e no jornal Público, com o título "De Portugal para o mundo".

No dia de abertura das portas da Hannover Messe'22 ao público, António Costa escreve que a escolha de Portugal para país parceiro do certame é o “reconhecimento de um caminho virtuoso” percorrido pela indústria portuguesa, sendo também a “afirmação da sua maturidade e competitividade à escala global”.

O primeiro-ministro defende que Portugal é um líder da transição climática, referindo-se às estatísticas da Comissão Europeia que indicam que é o país “mais bem preparado para alcançar os objetivos climáticos até 2030”, assim como ao facto de, hoje em dia, 58% da eletricidade portuguesa ser produzida com base em fontes renováveis.

“Com as condições naturais de que dispomos, com o forte investimento privado já projetado e com o reforço das interconexões terrestres, que complementam o potencial dos nossos portos, seremos um dos principais exportadores de hidrogénio verde da Europa”, perspetiva.

No que se refere à transição digital, António Costa defende que o contexto também “é muito favorável”, afirmando que Portugal tem a “terceira maior taxa de recém-graduados em engenharia da União Europeia e um sistema digital de ‘innovation hubs’ que permitem a testagem de tecnologia”.

“Desde 2015, duplicámos os centros de Investigação e Desenvolvimento [I&D} e de inovação de grandes empresas globais, incluindo de reconhecidas empresas alemãs”, escreve o primeiro-ministro, antes de referir as amarrações em Portugal do cabo EllaLink – que liga a Europa ao continente americano – e do cabo Equiano – entre a Europa e a África do Sul –, assim como o projeto de um novo cabo submarino que, no próximo ano, deverá ligar Portugal ao continente asiático.

“No momento em que as empresas europeias se mobilizam para relocalizar na Europa muito da produção industrial que deslocalizaram no passado, Portugal é o espaço natural para produzir da Europa para o mundo”, defende o primeiro-ministro.

À semelhança do que disse na cerimónia de abertura da feira de Hannover – que inaugurou no domingo, em conjunto com o chanceler alemão, Olaf Scholz –, o chefe do executivo acrescenta ainda que Portugal é o “quarto país mais seguro do mundo”.

“Somos um parceiro na construção europeia, numa Europa que não deixa ninguém para trás. Somos o segundo país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico [OCDE] mais aberto ao investimento estrangeiro. E, de acordo com as projeções da Comissão Europeia, seremos o país da União Europeia com o maior crescimento económico e a maior inflação em 2022, num contexto de contas públicas sãs e sustentáveis”, indica.

No que se refere à feira de Hannover, o primeiro-ministro diz que Portugal irá levar para o certame “soluções inovadoras de produção de energias renováveis, de gestão inteligente e de mobilidade urbana”, assim como “soluções de inteligência artificial, de realidade aumentada e de digitalização ao serviço da eficiência da indústria”.

“Levamos fornecimentos industriais, máquinas e ferramentas de ponta, com a excelência e qualidade que a indústria europeia exige. Levamos a Hannover o futuro”, frisa.

Abordando as relações entre Portugal e a Alemanha, o primeiro-ministro refere também que a “longevidade e a estabilidade das relações” entre os dois países “comprovam os benefícios mútuos desse trabalho conjunto”.

Segundo o chefe de Governo, esses benefícios traduzem-se “em valor económico e social, que justamente se propagam aos trabalhadores, às empresas de menor dimensão, às diferentes regiões”.

“Este momento de elevada incerteza, de aceleração da dupla transição climática e digital e de encurtamento das cadeias de valor, é o momento para reforçar estes laços. Portugal faz sentido. Para fornecer bens e serviços. Para produzir. Para inovar”, conclui António Costa.

Com o ‘slogan’ “Portugal faz sentido”, a Hannover Messe’22 – considerada a maior feira de indústria do mundo – começou no domingo e termina na quinta-feira, tendo escolhido Portugal como país parceiro para a edição deste ano.

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