Conselho de Finanças Públicas corta previsão do PIB para 4,8%, mas pode cair para 3,5%

Agência Lusa , CE
17 mar, 13:20
Dinheiro (Getty Images)

Este cenário compara com as projeções divulgadas pelo CFP em setembro, quando projetava um crescimento de 5,1% este ano e de 2,9% em 2023

O Conselho das Finanças Públicas (CFP) está ligeiramente mais pessimista sobre o crescimento da economia portuguesa, cortando em 0,3 pontos percentuais (p.p.) a previsão do PIB para 4,8% este ano, que num cenário adverso pode cair para 3,5%.

No relatório “Perspetivas Económicas e Orçamentais 2022-2026”, divulgado esta quinta-feira, a instituição presidida por Nazaré Costa Cabral, aponta, num cenário de políticas invariantes, para um abrandamento do ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português para 4,8% em 2022 e para 2,8% em 2023, face à expansão de 4,9% em 2021.

Este cenário compara com as projeções divulgadas pelo CFP em setembro, quando projetava um crescimento de 5,1% este ano e de 2,9% em 2023, e fixa-se abaixo das estimativas do Governo de 5,5% para este ano.

No relatório divulgado, o CFP projeta ainda um cenário adverso, no qual o choque no preço dos bens energéticos e de outras ‘commodities’ seria mais persistente e existiria uma disrupção no fornecimento das matérias-primas por parte da Rússia à Europa, estimando que o ritmo de crescimento do PIB abrandasse para 3,5% este ano e para 2% em 2023.

No cenário central, o CFP assinala que, no médio prazo, “a trajetória de recuperação da atividade económica deverá prosseguir a um ritmo mais moderado, convergindo de 2,6% em 2024 para valores em torno do crescimento de longo prazo estimado para a economia portuguesa (1,7%) em 2026”.

No entanto, salienta que “as perspetivas económicas no curto prazo encontram-se sujeitas a elevada incerteza gerada pelo conflito militar entre a Rússia e a Ucrânia, não obstante a situação mais estável nos desenvolvimentos da pandemia por covid-19”.

“À data de fecho de informação deste relatório, são ainda de difícil mensuração os efeitos das sanções colocadas à economia russa, com impacto significativo no preço dos bens energéticos e de outras ‘commodities’ [matérias-primas] e consequente efeito adverso no crescimento das economias dos principais parceiros económicos de Portugal”, sublinha.

Ainda assim, acredita que a economia portuguesa irá recuperar este ano o nível do Produto Interno Bruto (PIB) real pré-pandemia.

“No ritmo de recuperação da atividade económica destaca-se o contributo das exportações de serviços, em particular os relacionados com o turismo, que se espera que recupere o nível de 2019 durante este ano”, refere, apontando também para “o contributo da formação bruta de capital fixo (FBCF), que reflete a absorção de fundos subjacentes ao programa NextGenerationEU – nomeadamente o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”.

O CFP antecipa uma desaceleração do ritmo de crescimento do consumo privado em volume para 3,6% em 2022 e para 2,9% em 2023, refletindo um “aumento das pressões inflacionistas”, e “o aumento moderado da poupança por motivos de precaução”.

No que toca às exportações de bens e serviços, espera um abrandamento para 10,4% em 2022 e para 5,5% em 2023, “que deverá traduzir a expectativa de desaceleração do crescimento das exportações de bens, penalizado pelo aumento dos custos de produção e de transporte e pela diminuição da procura externa”.

“Este efeito deverá ser parcialmente mitigado pela dinâmica das exportações de serviços, em particular aqueles associados ao turismo, que deverão continuar a trajetória de recuperação do nível pré-pandemia, impulsionadas pelo levantamento das restrições à mobilidade internacional e pela retoma da confiança associada à estabilização da situação pandémica”, refere.

Já a FBCF (investimento) em volume deverá crescer 6,9% em 2022 e 4,2% em 2023.

O CFP perspetiva uma trajetória de diminuição gradual da criação de emprego, de 1,1% em 2022 até 0,1% até ao final de 2026, em linha com a dinâmica de recuperação da economia.

Prevê ainda que a taxa de desemprego diminua de 6,4% da população ativa em 2022 até 5% em 2026.

A instituição vinca que as projeções têm riscos macroeconómicos e orçamentais descendentes, destacando “os impactos, ainda que indiretos, provocados pelo conflito militar entre a Ucrânia e a Rússia e a consequente imposição de sanções económicas a este país”, bem como “a possibilidade de execução do PRR abaixo do considerado, o que levaria necessariamente a um fluxo de investimento inferior ao projetado, gerando menos produto”.

Aponta ainda a evolução da situação pandémica, assim como as responsabilidades contingentes relacionadas com as linhas de crédito com garantia do Estado, a eventualidade de a TAP poder vir a beneficiar de apoios financeiros adicionais aos aprovados no âmbito do Plano de Reestruturação, a possibilidade de utilização do montante remanescente de 485 milhões de euros ao abrigo do Acordo de Capitalização Contingente do Novo Banco e as pressões orçamentais sobre a despesa corrente primária.

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