A cadeia de abastecimento energético nacional não depende sequer do petróleo ou gás natural exportado pelos países do Golfo Pérsico. E "não existe, ao dia de hoje, um problema de abastecimento em Sines", garante o presidente do principal porto nacional em termos de crude e gás natural
O Porto de Sines é "uma infraestrutura muito estratégica, crítica e de importância total" para Portugal, pois é por aqui que chega ao nosso país "praticamente 100% do crude importado", indica à CNN Portugal Pedro do Ó Ramos, presidente deste porto - "além de mais de 95%" das importações de gás natural.
E, apesar da crise mundial de petróleo devido à guerra dos EUA e de Israel com o Irão, que levou inclusive Portugal a abdicar de "nove dias da sua reserva de petróleo", Pedro do Ó Ramos garante que "não existe, ao dia de hoje, um problema de abastecimento em Sines".
A cadeia de abastecimento energético nacional não depende sequer do petróleo ou gás natural exportado pelos países do Golfo Pérsico, porque, quanto ao crude, as importações para território nacional têm como "principais fornecedores" a Nigéria e o Brasil e, quanto ao gás natural, Portugal compra essencialmente a EUA, Argélia e Nigéria, explica.
Se não há falta de petróleo em Portugal, porque aumentou o gasóleo mais de 20 cêntimos esta semana e vai aumentar mais 10 cêntimos na próxima semana, subida que também afeta a gasolina?
"É uma questão de mercado global", explica o presidente do Porto de Sines, lembrando que estes recentes aumentos "não têm a ver com Sines". "Em Sines continuamos a ter produto", sublinha.
Ou seja, esclarece o responsável, a partir do momento em que há menos oferta e mais procura "os preços aumentam naturalmente", porque o preço do petróleo é definido internacionalmente para todo o mercado.
Mesmo que o conflito no Irão "não se note" no fluxo de importações em Sines, uma vez que, recorda o presidente deste porto, "os grandes fornecedores quer do crude quer do gás natural não são daquela zona do mundo" e isto garante que haja "uma segurança do ponto de vista do abastecimento".
"É verdade que o mundo está perigoso, mas como importamos, sobretudo, os nossos produtos através do Atlântico e do Mediterrâneo não temos sentido [o bloqueio no Estreito de Ormuz]", observa.