Treinador do Portimonense disse ter recorrido aos últimos instantes do pai em vida para motivar os jogadores na reta final da época. «Só foi pena o Sporting não ser campeão para ser uma época perfeita na primeira e segunda liga para todos nós»
Após o apito final do Portimonense-Farense, que confirmou a permanência dos alvinegros na II Liga, Tiago Fernandes apontou os indicadores para o céu e dedicou a vitória e a salvação da equipa do Barlavento ao pai, Manuel Fernandes, falecido em junho de 2024.
Em declarações à Sport TV, o treinador do Portimonense recordou o pai com uma emoção indisfarçável.
«Esta época tive a maior lição da minha vida como treinador. Este foi o ano em que aprendi mais como treinador e em que mais evoluí e que me fez sair da zona de conforto todas as semanas. Foi uma tarefa muito difícil, mas nunca atirei a toalha ao chão e acreditei sempre nestes jogadores. Uma vez disse-lhes numa palestra que a maior lição da minha vida foi quando o meu pai morreu: ele morreu de mão dada comigo. São momentos que jamais vou esquecer e que ficam gravados. Ele apertou-me a mão duas ou três vezes com uma força enorme para quem estava em coma. Eu estava com a minha irmã e vimos que ele depois deixou de apertar. Chamámos a enfermeira para ver o que se estava a passar e ela disse que já não havia nada a fazer. Quando isto acontece, caímos numa realidade de vida muito dura. É uma grande lição porque ali eu senti que não havia mesmo mais nada a fazer», recordou.
A emoção de Tiago Fernandes com uma dedicatória especial 🥹🫶#sporttvportugal #LIGAnaSPORTTV #ligaportugalmeusuper #PortimonenseSC #SCFarense pic.twitter.com/R6UNAbarG4
— sport tv (@sporttvportugal) May 17, 2026
«Eu disse aos jogadores que enquanto não nos dissessem que já não havia nada a fazer, por mim e por todos, íamos lutar até ao fim. Foi uma vitória épica. Nos últimos oito jogos fomos a melhor equipa a par do Leixões. Fomos uns autênticos guerreiros. Foi até à última gota de suor, de sangue», acrescentou, voltando depois a recordar Manuel Fernandes, agora de voz embargada e olhos marejados.
«Só tenho pena de não ter aqui o meu pai hoje para festejar, porque sei que ele iria estar muito feliz. Ele é o maior exemplo que tenho. A minha mãe fez-me gostar muito do meu pai e tocou-nos desta forma eu olhar para o meu pai como um ídolo, como uma pessoa muito importante para nós. Quando ele estava em casa, não podia haver barulho. Tínhamos de viver para ele ser feliz na profissão porque ele era muito bom no que fazia. Ele hoje deve estar muito feliz, de certeza. Só foi pena o Sporting não ser campeão para ser uma época perfeita na primeira e segunda liga para todos nós.»
