Poluição atmosférica está relacionada com casos graves de covid-19, diz estudo

5 jun, 18:25
Covid-19 (AP Photo/Mark Schiefelbein)

Já se conhecia a relação entre o dióxido de nitrogénio e casos de cancro, asma, avc, ataque cardíaco, diabetes, obesidade e demência. Agora, adicionou-se à lista mais uma forma grave de doença.

Aqueles que são expostos à poluição atmosférica durante longos períodos têm maior probabilidade de sofrer sintomas graves em caso de infeção por covid-19. 

Foi isso que concluiu um estudo alemão, liderado por Susanne Koch na Universitätsmedizin Berlin, que afirma que o dióxido de nitrogénio está diretamente ligado com as formas mais graves de covid-19: “O nosso estudo mostra uma relação positiva entre uma longa exposição ao dióxido de nitrogénio e a taxa de incidência e a morte por covid-19”, afirmam os investigadores alemães, em declarações ao The Guardian.

O dióxido de nitrogénio é uma substância libertada para a atmosfera quando combustíveis fósseis são queimados. Danifica células responsáveis pelo revestimento do coração e de vasos sanguíneos, dificultando a passagem do oxigénio para o sangue.

Já se conhecia a relação entre o dióxido de nitrogénio e casos de cancro, asma, AVC, ataque cardíaco, diabetes, obesidade e demência. Aliás, acredita-se que esta substância cause cerca de 40 mil mortes precoces por ano. Agora, adicionou-se à lista mais uma forma grave de doença.

A explicação é complexa: sabe-se que o SARS-CoV-2 se liga ao recetor Ace-2, quando entra nas células, após infectar uma pessoa. Este recetor é responsável por muitos papéis importantes, entre os quais ajudar o corpo a regular os níveis de angiotensina II, uma proteína que aumenta a inflamação. Por sua vez, o dióxido de nitrogénio e a poluição atmosférica causam uma maior libertação de angiotensina II. Assim, a combinação do vírus da covid-19 e da exposição a longo prazo à poluição provoca uma infeção mais grave, com maior probabilidade de necessidade de recorrer a unidades de cuidados intensivos e a ventilação.

Embora esta relação ainda esteja a ser estudada e não tenha sido oficialmente provada, os cientistas afirmam que é essencial mudar de atitude face à poluição, investindo em energias renováveis: “Uma transição para energias renováveis, transportes limpos e agricultura sustentável é urgente e necessária para melhorar a qualidade do ar. Reduzir as emissões ajudará não só a limitar a crise climática, como também melhorará a saúde e a qualidade de vida das pessoas de todo o mundo”, afirmou Susanne Koch.

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