"Somos um país na fronteira de um conflito armado": Polónia quer desenvolver armas nucleares para se defender da Rússia

17 fev, 11:57
Polónia exibe as suas armas na maior parada militar das últimas décadas (AP)

Presidente Karol Nawrocki diz que a "atitude agressiva e imperial da Rússia em relação à Polónia é bem conhecida" e que por isso o país deve construir a sua estratégia de segurança "com base no potencial nuclear"

“Este caminho, com respeito por todas as regulamentações internacionais, é o caminho que devemos seguir.” Foi desta forma que o presidente da Polónia, Karol Nawrocki, defendeu o desenvolvimento de defesas nucleares face à ameaça russa.

Numa entrevista ao canal Polsat News, no domingo, Nawrocki afirmou ser “um grande defensor da adesão da Polónia ao projeto nuclear” e defendeu que o país deve construir a sua estratégia de segurança “com base no potencial nuclear”.

“Temos de trabalhar para este objetivo para que possamos iniciar os trabalhos. Somos um país na fronteira de um conflito armado. A atitude agressiva e imperial da Rússia em relação à Polónia é bem conhecida”, declarou o chefe de Estado. Já questionado sobre a possível reação de Moscovo a um programa nuclear polaco, Nawrocki desvalorizou. “A Rússia pode reagir agressivamente a qualquer coisa”, referiu.

O presidente polaco Karol Nawrocki fala numa conferência de imprensa conjunta com o presidente lituano, Gitanas Nauseda, e com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, no palácio presidencial em Vilnius, Lituânia, a 25 de janeiro de 2026. (AP Photo/Mindaugas Kulbis)

As declarações surgem num contexto de debate crescente em vários países europeus sobre o desenvolvimento de armas nucleares próprias, perante o aumento das ameaças de Moscovo e o crescente afastamento dos Estados Unidos, sob a liderança de Trump.

Já esta terça-feira, o ministro da Defesa polaco, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, reagiu às declarações de Nawrocki, sublinhando que questões como o programa de Nuclear Sharing da NATO e o chamado “guarda-chuva nuclear” são “sempre objeto de análises no âmbito da Aliança e de decisões conjuntas”.

“Sou também favorável ao desenvolvimento das nossas próprias capacidades de investigação e desenvolvimento”, disse o ministro, acrescentando que, em matéria nuclear, “é melhor alcançar resultados do que apenas ter sonhos”.

O governante descreveu as armas nucleares como “o mais sensível dos temas sensíveis”, exigindo “cautela, fiabilidade e ação, não grandes debates públicos”.

Ainda que a vontade comece a ganhar força internamente, a Polónia poderá encontrar um entrave no futuro. O país ratificou o Tratado de Não Proliferação Nuclear em 1969, que proíbe os Estados detentores de armas nucleares de as transferirem para Estados não nucleares e compromete os signatários a pôr termo aos testes nucleares, algo que pode dificultar a que o plano avance.

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