Estes 11 partidos (também) querem um lugar na Assembleia da República

19 jan, 02:34
Debate entre partidos sem assento parlamentar (Pedro Pina/RTP/Lusa)

Da "direita social" à esquerda alternativa, do partido que quer mais Europa ao partido que quer menos partidos, do partido que diz ser o verdadeiro ecologista ao partido dos golfinhos. Entre os 11 partidos que querem conquistar um lugar no Parlamento há de tudo (até negacionistas) e também aconteceu de tudo: viu-se um elefante na sala e, a certa altura, a conversa teve de ser interrompida porque a luz falhou. O resumo do debate entre os partidos sem assento parlamentar

Elefantes na sala

Foi logo na ronda inicial que Bruno Fialho, candidato do ADN, deixou a sua marca neste debate entre os candidatos à Assembleia da República dos partidos sem assento parlamentar. Fialho foi o único candidato que participou por vídeochamada porque, esclareceu, recusou fazer um teste covid - disse mesmo que era uma "medida ilegal" - e depois protagonizou um momento estranho.

O ADN, Alternativa Democrática Nacional, é o sucessor do Partido Democrático Republicano de Marinho e Pinto. Apresenta-se como uma "lufada de ar fresco" para os eleitores e quer "dar força à classe média, que é a única que permite o desenvolvimento do país", disse Bruno Fialho à Lusa.

Entre as medidas que o ADN defende estão o aumento dos salários, o alargamento da licença de parentalidade para o mínimo de um ano, um justiça tendencialmente gratuita, a exclusividade dos médicos do SNS e a transferência "de serviços para privados, nomeadamente a nível autárquico".

Duas divisões

Vitorino Silva, presidente do Reagir, Incluir, Reciclar (RIR) abriu o debate denunciando um "campo inclinado" na campanha. Queixou-se do seu partido "ter sido abafado" dizendo que, no dia 30, as sondagens terão de pedir desculpa aos portugueses.

As eleições legislativas são as segundas a que o RIR concorre. Em 2019, o partido obteve 35 mil votos (0,67%). Desta vez, Vitorino Silva ambiciona eleger deputados em Lisboa.

A prioridade do partido é a redução de impostos, que considera ser uma forma de combate à evasão fiscal e à economia paralela.

A energia cara (e o que acontece quando há falta dela)

No momento em que Élvio Sousa, cabeça de lista do Juntos Pelo Povo (JPP) pelo círculo eleitoral da Madeira, estava a falar sobre o preço da eletricidade, a energia falhou e a luz foi abaixo. O debate teve de ser interrompido. "Nunca me tinha acontecido", disse Carlos Daniel depois do intervalo forçado.

O Juntos Pelo Povo (JPP) é um partido que nasceu como um movimento de cidadãos na Madeira. Em 2015, elegeu cinco deputados à Assembleia Legislativa da Madeira, onde actualmente conta com três representantes.

Uma das metas do partido é fazer uma "fiscalização apertada" à acção do Governo da República, contribuindo para "desmantelar" esquemas de corrupção.

O partido dos golfinhos (contra os tubarões)

O símbolo do Partido Trabalhista Português (PTP) tem como símbolo "dois golfinhos à volta do povo a proteger dos tubarões", informou Armândio Madaleno, fundador do partido. Esses tubarões são António Costa e André Ventura. E para combater um dos tubarões, o PTP quer eleger dois deputados de etnia cigana.

Amândio Madaleno, fundador do Partido Trabalhista Português (PTP), apresenta-se em debate como defensor do povo português contra os dois grandes tubarões da política portuguesa, António Costa e o partido Chega, com o apoio das forças de segurança e a eleição de dois deputados de etnia cigana.

O PTP apresenta-se como a única força de "centro-esquerda que não gosta das políticas do PS". Fundado em 2009, o partido defende penas de prisão para crimes de racismo e da xenofobia, a criação de incentivos à natalidade, a defesa dos direitos à habitação e a criação de incentivos para agricultores, pescadores e outros empreendedores.

Uma esquerda alternativa

Cabeça de lista por Lisboa do Movimento Alternativa Socialista (MAS) critica o Bloco de Esquerda e o PCP, que acusa de terem perdido a "combatividade no Parlamento por causa da dependência que têm das subvenções do Estado".

Renata Cambra, que afirma que "toda a vida foi precária, assim como toda a geração considerada a mais bem preparada deste país", vinca diferenças com estes dois partidos, designadamente no que diz respeito à defesa da recuperação do tempo de serviço dos professores e à oposição da exploração de lítio em Portugal.

O MAS concorre pela primeira vez aos 22 círculos eleitorais e considera a habitação uma prioridade. O partido propõe que as rendas não possam ir além de 30% dos salários.

A confusão completa

Passada a ronda inicial, o moderador Carlos Daniel questionou os candidatos sobre a gestão da pandemia e as propostas que cada um tem para a Saúde. Cidália Guerreiro, cabeça de lista pelo círculo de Lisboa do PCTP/MRPP, começou por dizer que considerava que a pandemia estava a ser "utilizada para introduzir medidas repressivas e intimidatórias" e questionou mesmo que o número de 19 mil mortes no país devido à covid-19 tenha "o rigor que deve ter". A gestão foi "uma confusão completa", frisou Cidália Guerreiro depois de confrontada com os números. "Este dado é público e ninguém o contesta", garantiu o jornalista Carlos Daniel.

O PCTP/MRPP concorre nas eleições de 30 de janeiro, que considera "burguesas", em nove círculos. De inspiração maoísta e fundado em 1976, o partido defende que o país não deve pagar a dívida pública pois considera-a "impagável" e "uma forma de limitar o país".

A direita alternativa

Jorge Nuno Sá foi líder da Juventude Social Democrata entre 2002 e 2005 e é agora o terceiro presidente do Aliança, o partido fundado por Santana Lopes em 2018. Para se distinguir dos outros partidos de direita que já têm assento parlamentar, Jorge Nuno sublinhou que o Aliança é uma "direita social".

Falava-se sobre a gestão da pandemia e o Serviço Nacional de Saúde. Jorge Nuno Sá referiu que o estado deve garantir o acesso à saúde, mas acrescentou que para o público é "irrelevante" se este serviço é público ou privado.

Nas últimas eleições legislativas, o Aliança teve 0,77% dos votos.

O partido que não quer ser partido

Joaquim Rocha Afonso, presidente do Nós, Cidadãos, criticou aquilo que considera ter sido uma "navegação à vista" nas primeiras fases do combate à pandemia covid-19 em Portugal.  A situação só ficou resolvida, sublinhou Rocha Afonso, com a chegada de Gouveia e Melo, que "foi meter ordem na casa".

O Nós, Cidadãos defende que tem de haver uma "desgovernamentalização" de todos os cargos dos conselhos de administração e direções clínicas de todas as estruturas de saúde e para isso sugere a criação de uma comissão independente para fiscalizar todas as nomeações nesta área.

O Nós, Cidadãos é um partido que nasceu de um movimento de cidadãos independente e que apenas se constituiu como partido para poder concorrer à Assembleia da República. "É um partido por imposição legal", argumentou Joaquim Rocha Afonso.

Nas últimas eleições legislativas conquistaram 13 mil votos e, este ano, o objectivo é chegar aos 50 mil.

Ecologia sem modas

Pedro Soares Pimenta, do Movimento Partido da Terra (MPT), falou acerca da prestação de serviços de Saúde para dizer que considera que a discussão sobre o público e o privado a propósito da saúde é irrelevante porque as pessoas "querem é ser tratadas".

O MPT apresentou-se neste debate entre candidatos à Assembleia da República de partidos sem assento parlamentar como o partido com propostas sobre ecologia "estruturadas" e "não de moda".

Na sua intervenção inicial, e para explicar a relevância e a diferença do MPT em relação a outros partidos, Pedro Soares Pimenta criticou os partidos que estão no Parlamento e reivindicam para si a prioridade dada ao ambiente e depois "aprovam grande parte dos projetos do partido do Governo".

"Nós existimos há mais de 30 anos, não somos apêndice de ninguém", rematou.

A farsa

José Pinto Coelho, do partido Ergue-te, apresentou-se no debate entre os partidos sem assento parlamentar como representante do "único partido assumidamente contra o regime e contra o sistema". Prometeu ir para o parlamento "sem máscara" e promover a desobediência civil perante o que considera ser "uma farsa" ou uma "encenação" à volta da covid-19.

O Ergue-te, nome adotado pelo Partido Nacional Renovador (PNR) em julho de 2020, aposta na salvaguarda dos direitos da família “entendida no sentido original”, defendendo, entre outros pontos, o incentivo à natalidade, a revogação das atuais leis da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e a aposta em políticas de apoio a idosos e famílias numerosas.

Uma soberania europeia

Tiago Matos Gomes, do Volt, apresentou-se como líder não de um partido de causas, mas de um partido com causas, que "é mais do que Europeísta". "Somos federalistas. Uma Europa Federal é aquela que pode dar resposta uma Europa mais democrática", sublinhou Matos Gomes.

Questionado sobre a perda de soberania nacional, Matos Gomes argumentou que "não podemos pensar a soberania como no século XIX ou XX".

São um partido europeísta, nem de direita nem de esquerda, talvez centrista, mas sobretudo pragmático e com base na ciência. É o partido mais jovem no panorama político português.

 

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