Se eu mandasse... revia o Estatuto do Mecenato

26 jan, 10:00
Afonso Reis Cabral

Numa rubrica da CNN Portugal, que será publicada ao longo dos 15 dias que antecedem as legislativas, várias personalidades explicam o que fariam se fossem eleitas para governar

Afonso Reis Cabral, escritor

Num país marcado pela pandemia, a qual desmascarou ainda mais as fragilidades que já tínhamos, impressiona como a pobreza tem crescido. É uma verdadeira mancha na nossa cara: mais de 1,6 milhões de portugueses são pobres. Preferia dizer, embora a frase resulte estranha, que “mais de 1,6 milhões de nós somos pobres”. E o risco de pobreza tem crescido, além de o emprego não ser necessariamente a fuga da pobreza. Este é o combate.

Mas também somos culturalmente pobres. A cultura é uma mancha num país cujos responsáveis têm acenado com a miragem do 1%. Agora não ouço ninguém falar em percentagens para a cultura. Se nem conseguimos manter o que temos, com um estado calamitoso do nosso património e com alertas consecutivos de museus sujeitos à penúria, como esperar um verdadeiro interesse pelas coisas da cultura? Dá sempre a ideia de que a cultura é a parente pobre da vida - algo que se faz por lazer ou prazer. Como se a cultura fosse “lifestyle”.

Até agora, na campanha, não se tem falado dela. Tal como não se falou de educação. São silêncios embaraçantes, tanto mais que houve espaço para se falar de temas muito mais interessantes - e socialmente relevantes - como as pancas de Ventura. Um país tristemente aventurado.

Embora eu por vezes sinta que nem em mim mando, vou fingir que isto de fingir que se manda não é algo presunçoso. E acrescentar que seria importante revermos o Estatuto do Mecenato. É pelo menos possível, algo pequeno, mas objetivo e com grandes consequências. Tal como está, o nosso estatuto não dá verdadeiras vantagens fiscais a privados e empresas que pensem na sua responsabilidade cultural. Levar este estatuto mais à frente já seria qualquer coisa.

*Depoimento recolhido por Pedro Falardo

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