Se eu mandasse... fortalecia o Serviço Nacional de Saúde

25 jan, 10:00
Boaventura Sousa Santos

Numa rubrica da CNN Portugal, que será publicada ao longo dos 15 dias que antecedem as legislativas, várias personalidades explicam o que fariam se fossem eleitas para governar

Boaventura Sousa Santos,  Professor catedrático na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

Vamos entrar numa profunda crise social e económica que vai exigir uma presença forte de um Estado protetor, de políticas sociais que permitam o relançamento da economia e a proteção social num período de crise.

Aqui, uma das áreas fundamentais, no meu entender, é o fortalecimento do Serviço Nacional de Saúde (SNS). É de prever que este serviço vá ser sobrecarregado no futuro com aquilo a que eu chamo pandemia intermitente, isto é, os reflexos e impactos a médio prazo da própria pandemia. Ora, só um governo de esquerda é que pode garantir exatamente um fortalecimento do SNS porque a experiência portuguesa já nos mostrou alguma coisa nesse sentido.

O reforço do SNS tem três grandes medidas necessárias, além da ampliação das infraestruturas. A primeira prende-se com o regresso ao sistema de exclusividade de médicos para exigir o compromisso da exclusividade no SNS.

Em segundo lugar, para isso é preciso uma valorização dos salários. Hoje, o salário líquido de um jovem médico que entra nos hospitais, depois de terminar o curso de medicina, é de 1000 euros. É um salário muito baixo para o investimento que a família e o jovem fizeram na sua formação médica, portanto tem de haver obviamente uma subida de salários significativa. Em terceiro lugar, tem de haver progressão de carreira, com a valorização profissional daqueles que estão a trabalhar no SNS.

Nova política de salários

A outra área que considero fundamental é que, num período em que precisamos de um relançamento económico e de uma qualificação da nossa economia, é preciso uma política de salários que não assente nos salários baixos, que aumente não apenas o salário mínimo, mas também o salário médio, uma vez que estamos a assistir a uma deriva muito perigosa em que cada vez mais os trabalhadores estão a ser remunerados ao nível do salário mínimo, portanto já longe do salário médio, sobretudo os mais jovens. Isto é extremamente preocupante, porque significa que se está a instalar uma lógica de salários baixos. 

´Depoimento recolhido por Beatriz Céu

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