Margarida Blasco admite debater o direito à greve nas polícias e quer "brevemente" conclusões sobre morte na Cova da Moura

Agência Lusa , WL
3 nov 2024, 14:15

Modelo de policiamento de proximidade pela PSP vai ser revisto, adiantou ainda a ministra da Administração Interna

A ministra da Administração Interna, Margarida Blasco, abriu hoje a porta à discussão sobre o direito à greve nas polícias, com o tema reclamado pelos sindicatos a figurar entre os pontos em discussão nas negociações previstas para janeiro.

“Vamos começar no dia 06 de janeiro um conjunto de revisões e é um ponto que pode estar e estará, com certeza, em cima da mesa. Neste momento não vou dizer se sim ou se não, porque vai ter de ser submetido a um estudo”, afirmou a governante, em declarações a jornalistas no final do primeiro congresso da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), que decorreu este fim de semana na Faculdade de Direito de Lisboa.

A ministra adiantou ainda que o modelo de policiamento de proximidade pela PSP vai ser revisto, defendendo a sua importância junto das comunidades e prometeu também um maior investimento do Governo. 

"A PSP tem um programa há muitos anos que tem de ser revisitado e que é a polícia de proximidade. Isso passa por ter mais quadros formados e um diálogo que tem de ser feito com as autarquias, com a segurança social, com as associações dos bairros. Estou crente que esse trabalho vai ser feito", afirmou Margarida Blasco, sublinhando: "É muito importante que o cidadão confie na sua polícia. O Governo confia na polícia".

Em declarações aos jornalistas no final do primeiro congresso da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), que decorreu este fim de semana na Faculdade de Direito de Lisboa, a governante explicou que há 500 futuros agentes a serem formados neste momento e que essa revisão passa também por um reforço das condições dos polícias. 

"Vamos fazer um investimento na formação e, para isso, precisamos de abrir concursos para agentes, para chefes, para oficiais. Estamos atentos e neste constante diálogo que temos com os sindicatos e os polícias, um dos programas que vamos reavivar é o policiamento de proximidade", reforçou.

Conclusões sobre morte na Cova da Moura

Margarida Blasco manifestou também a expetativa de que "brevemente" haverá conclusões sobre o inquérito que ordenou à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) sobre as circunstâncias da morte do cidadão cabo-verdiano Odair Moniz, após ser baleado por um agente da PSP na Cova da Moura (Amadora). 

A ministra criticou ainda os desacatos na sequência desse caso e lembrou o motorista da Carris que ficou gravemente ferido dias depois, ao ser atingido num autocarro com um cocktail-molotov.

"Os tumultos que ocorreram durante a semana passada foram provocados por pessoas que só estão a praticar crimes, não podemos dizer isto com outras palavras. Há um motorista da Carris ferido, um autocarro que estava a servir a comunidade... Tenho a certeza de que a comunidade está com a sua polícia, porque sabe que a defende quando chama", disse.

Já sobre a relação da polícia com as comunidades de alguns bairros, como o Bairro do Zambujal ou a Cova da Moura, ambos no concelho da Amadora, Margarida Blasco reiterou que as pessoas dessas comunidades "conhecem a polícia" e que não se deve generalizar que estão contra os agentes.
 

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