Denúncia de toxicodependente levou à detenção de polícias suspeitos de tortura e violação

CNN Portugal , AM - notícia atualizada às 13:00
16 jan, 08:57
PSP

REVISTA DE IMPRENSA || Vítima de toxicodependência denuncia esquema de tortura e violação por agentes da PSP

A denúncia de um toxicodependente foi decisiva para expor um alegado esquema de tortura e violação envolvendo dois agentes da PSP da esquadra do Largo do Rato, em Lisboa, agora em prisão preventiva.

De acordo com o jornal Público, a vítima, de meia-idade e nacionalidade portuguesa, relatou os abusos a polícias ligados à investigação criminal em quem confiava, por nunca o terem maltratado, dando origem a um inquérito que acabou por afastar os suspeitos do serviço.

Segundo a acusação do Ministério Público, o homem foi espancado, asfixiado com um cinto e violado com um bastão extensível após ter sido detido por suspeitas de furto, na madrugada de 20 de outubro de 2024. O caso insere-se num padrão de violência extrema alegadamente praticado contra pessoas vulneráveis, incluindo imigrantes e sem-abrigo, entre maio de 2024 e março de 2025.

À CNN Portugal, fonte oficial da PSP confirma que assim que "teve conhecimento dos factos, denunciou, investigou, procedeu às detenções e às restantes diligências de investigação, sempre sob a coordenação do Ministério Público", estando agora o processo disciplinar a ser "instruído pela Inspeção Geral da Administração Interna".

"A PSP lamenta este e quaisquer outros comportamentos que coloquem em causa direitos, liberdades e garantias, pelo que tudo fará para que esta situação seja de absoluta e completa exceção e para que no futuro não volte a suceder no seio da Instituição", afirma a mesma fonte, adiantando que os dois arguidos (Guilherme Leme e Óscar Borges) estão em prisão preventiva e afastados do serviço.

A investigação aponta para pelo menos 13 vítimas e admite a possibilidade de existirem mais agentes envolvidos, incluindo elementos com funções de chefia.

Os dois principais arguidos, com 22 e 25 anos, terão ainda partilhado imagens das agressões em grupos de mensagens.

Estão em curso três processos disciplinares conduzidos pela Inspeção-Geral da Administração Interna, havendo ainda um terceiro arguido sem medidas cautelares.

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