Entre os detidos há solicitadores - utilitários ao esquema de falsificação de documentos
A Polícia Judiciária desmantelou esta terça-feira uma rede de burlas milionárias na Grande Lisboa, com a detenção de nove suspeitos por ligações a uma esquema de vendas simuladas de casas de luxo, que lesaram os compradores em mais de 10 milhões de euros na aquisição de cerca de dez imóveis, apurou a CNN Portugal.
Respondem por associação criminosa, falsificação de documentos, burlas qualificadas e branqueamento de capitais, entre outros crimes, num esquema que passava, primeiro, pelo simular da aquisição dos imóveis aos verdadeiros proprietários - através do forjar de escrituras e outros documentos. Algo que era feito à revelia das vítimas, algumas de nacionalidade chinesa que tinham adquirido as casas por valores milionários ao abrigo de processos de obtenção de vistos gold, para circulação no espaço Schengen.
Depois, a rede anunciava a venda das casas em imobiliárias - e, encontrando compradores, ficava com os sinais destas vítimas, que pagavam logo cerca de 10% do valor da futura aquisição, em contratos de compra e venda. Ao que a CNN apurou, a rede chegava a mostrar o interior das casas aos compradores, através da mudança de fechaduras e de invasão de propriedade.
Entre os detidos há solicitadores - utilitários ao esquema de falsificação de documentos.
Segundo as queixas, as casas adquiridas por aqueles cidadãos estrangeiros estavam desocupadas e foram vendidas supostamente em seu nome e sem o seu consentimento.
De acordo com a PJ, que levou a cabo dez buscas domiciliárias e não domiciliárias na zona de Lisboa, os contratos de venda daqueles imóveis eram celebrados com recurso a documentação falsa, como documentos de identidade, procurações e comprovativos de pagamento.
A documentação era depois apresentada a advogados e solicitadores, que a autenticavam e submetiam eletronicamente a Registo Predial, passando a propriedade dos imóveis para os nomes dos compradores, que correspondem a identidades falsas e até mesmo inexistentes.
Já na posse dos imóveis e do título de registo de propriedade, os suspeitos, com idades entre os 26 e os 62 anos, trocavam as fechaduras e vendiam os imóveis a preços abaixo dos valores reais e de mercado, recorrendo a investidores ou a mediadoras imobiliárias, que os adquiriam ou serviam de intermediários.
Os valores arrecadados eram depois sujeitos a um esquema de “lavagem de dinheiro”, através da compra e posterior venda de outros bens, como viaturas de luxo, ou através de transferências sucessivas e fracionadas entre contas bancárias.
A PJ adiantou que recuperou até ao momento diversos imóveis e apreendeu “consideráveis vantagens obtidas com a venda fraudulenta dos mesmos, entre elas os saldos bancários de cerca de 1,5 milhões de euros”.
Os detidos serão presentes a primeiro interrogatório judicial, para aplicação das medidas de coação.
