O que têm em comum a "Erva doce", o "Magic Mail" e o "Pikachu"? A Polícia Judiciária

6 abr 2025, 18:00
Cocaína apanhada em operação da Polícia Judiciária (Rodrigo Antunes/Lusa)
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Todas as operações da Polícia Judiciária precisam de um nome e estes são dados pelos inspetores que investigam os casos. A criatividade dos nomes, às vezes, surpreende, mas todas as escolhas têm um motivo. Mesmo que só quem tenha visto os processos o conheça

“Erva doce”, “Magic Mail” e “Pikachu” são nomes de operações da Polícia Judiciária (PJ) relacionadas com o tráfico de droga. E os nomes foram escolhidos pelos inspetores que investigaram os casos. Apesar de não haver “uma regra”, é assim que funciona em todos os departamentos. A CNN Portugal falou com Cláudio Ribeiro, coordenador de Investigação Criminal na Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes e com a inspetora M. Madeira, da mesma unidade, para perceber quando, como e onde arranjam os nomes.

Uma coisa é certa, não há pessoas contratadas para dar nome às operações. Esta é uma tarefa que cabe aos próprios inspetores que investigam os casos. Recentemente, por exemplo, três homens, com idades entre os 19 e os 21 anos, foram detidos pela PJ durante uma operação contra o tráfico de droga na zona de Lisboa. Foram apreendidos quatro quilos de haxixe. A operação, foi batizada de “Pikachu” e o motivo é simples. “Havia uma imagem do Pikachu em cima dos sabonetes de haxixe apreendidos”, explica Cláudio Ribeiro à CNN Portugal.

E será que existe alguma altura específica para dar um nome a uma investigação? “Não é logo no início. Até porque logo no início não sabemos bem como é que as coisas se vão desenrolar e tem sempre que ter que ver com qualquer coisa que aconteceu ou que acontece durante a investigação”, afirma Cláudio Ribeiro. “O nome escolhido acaba sempre por estar ligado ao caso em si”, conclui.

Na Polícia Judiciária dar o nome à investigação é “o menos importante” e, como “não há regras”, a ideia pode surgir antes de haver detenções ou buscas, como pode ser feito apenas no final. Ou, até, “pedir a alguém da brigada que tenha o processo ou alguma coisa assim. Deu uma ideia e está feito”. Todavia, admite o coordenador que às vezes a criatividade surpreende todos.

Estejam ou não sentados à mesa, estejam ou não numa reunião de trabalho. A única certeza que existe é que o nome escolhido tem sempre uma ligação ao caso. Seja pelo arguido, seja pelos produtos envolvidos, seja por palavras usadas, seja por peripécias que acontecem, como a do recente Pikachu.

“O nome é adequado e pronto. Não é uma coisa onde se perca muito tempo. É uma coisa lógica para nós”, admite à CNN Portugal a inspetora M. Madeira.

Instada a dar um exemplo, recorda uma operação a que foi dado o nome “Erva doce”. “Foi há um ano” mais ao menos, “ali na zona de Castelo Branco, desmantelámos uma plantação de canábis”. Os arguidos gostavam de mel e “falavam no assunto”. “Eles não associavam o doce à erva, à canábis, mas usavam recorrentemente a expressão. E nós utilizámos para o nome da operação”, relembra. E foi esse que ficou.

Logo em seguida, também Cláudio Ribeiro se lembra de uma operação que foi batizada de “Magic Mail”. “Começava por uma encomenda, para comer produtos alucinogénicos. As pessoas encomendavam cogumelos e não só”. E, por acaso, não foi “quem fez a investigação” que escolheu o nome. “Alguém que viu o comunicado achou, 'ah isto também é adequado'… fica Magic Mail”. Ou seja, alguém viu “a nossa proposta de comunicado, viu o que é que se enquadrava, achava que aquele nome era mais adequado, e era, estava mais engraçado e nós depois também concordámos”, conclui.

“Há sempre ali uma ligação. Ao menos no que diz respeito à nossa secção. Não posso falar por outros colegas, mas por norma e por uma questão lógica, há sempre ligação”, clarifica a inspetora M. Madeira. E não há barreiras linguísticas. Todos os nomes, sejam em que idioma for, pode ser aceites. Desde que se justifique.

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