Foram realizadas 18 buscas domiciliárias e não domiciliárias a residências, empresas e escritórios de advogados
A Polícia Judiciária (PJ), através da Diretoria do Norte, realizou uma operação policial nas áreas do Grande Porto, Aveiro e Coimbra, que culminou na detenção de 10 pessoas, entre as quais três ex-administradores de insolvência, um advogado e seis empresários e comerciantes.
Em comunicado, a PJ adianta que os "detidos encontram-se indiciados pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção, burla qualificada, insolvência dolosa, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, que terão sido praticados, pelo menos, entre 2023 e 2025".
Segundo a PJ, a investigação "incide sobre a atuação organizada e concertada dos suspeitos em processos de insolvência e/ou recuperação de empresas, no âmbito das suas funções profissionais".
O alegado esquema permitia "beneficiar insolventes e viabilizar a apropriação de património em prejuízo dos credores reais".
"Através de pessoas singulares e/ou coletivas da sua confiança, que se apresentavam com créditos fictícios e documentação forjada, garantiam o imediato reconhecimento de credores sem a devida comprovação da dívida. Estes créditos fictícios, além de permitirem a apropriação imediata de bens móveis ou imóveis, asseguravam a aprovação dos planos de recuperação, para que os devedores pudessem tirar proveito dos seus efeitos, suspendendo a ação dos reais credores e dissipando o património existente.", lê-se ainda.
No âmbito da operação “Cinderela”, foram realizadas 18 buscas domiciliárias e não domiciliárias a residências, empresas e escritórios de advogados. Foram apreendidos diversos elementos probatórios, incluindo documentação, material informático, quantias monetárias, objetos de luxo e viaturas de gama alta.
A operação envolveu cerca de 80 inspetores da Diretoria do Norte da PJ e contou ainda com o apoio de uma equipa de análise digital da UNC3T.
Os detidos, com idades entre os 44 e os 77 anos, vão ser presentes ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto para primeiro interrogatório judicial e eventual aplicação de medidas de coação.