Elemento de extrema-direita foi detido por incitamento ao ódio e ameaças de morte à jornalista brasileira Stefani Costa. Jornalista brasileira Amanda Lima também foi ameaçada pela mesma pessoa
"Não é aceitável que se procure radicalizar jovens, alguns muito jovens, para atacar mulheres só por serem mulheres ou para atacar pessoas de outras origens. Estes são crimes politicamente motivados e que terão um combate feroz por parte da Polícia Judiciária", diz Luís Neves, diretor nacional da PJ, comentando a notícia da detenção de um elemento de extrema-direita por incitamento ao ódio e ameaças de morte à jornalista brasileira Stefani Costa, que trabalha em Portugal. A jornalista brasileira Amanda Lima também foi ameaçada pelo mesmo indivíduo.
"É uma matéria muito preocupante", afirma o líder da PJ, em declarações aos jornalistas. "Há muita violência online e esse ódio passa para a realidade e para as ruas", lamenta.
"Esse ódio reflete-se na criminalidade", prossegue Luís Neves. Dá origem a "crimes politicamente motivados", "sobretudo contra as mulheres, tratando a mulher como um ser menor, perseguindo pessoas de outras nacionalidades, outros credos, outras raças".
"De uns tempos a esta parte há de facto um conjunto de crimes que nos preocupam porque são criminalidade violenta, que utilizam armas de fogo ou facas", assume também o diretor da PJ. "Eu estou preocupado. A Polícia Judiciária está preocupada", afirma, acrescentando que "o respeito pelo outro não pode ser alvo de radicalização de jovens". Mas acredita que "Portugal continua a ser um país seguro".
A Unidade de Contraterrorismo da Polícia Judiciária deteve na manhã desta terça-feira um elemento de extrema-direita por incitamento ao ódio e ameaças de morte à jornalista brasileira Stefani Costa, que trabalha em Portugal, apurou a CNN Portugal. A jornalista brasileira Amanda Lima também foi ameaçada pelo mesmo indivíduo.
Na rede social X, entre outras publicações onde faz comentários nomeadamente de apologia neonazi, Bruno Silva afirmou oferecer dinheiro “a quem realizar um massacre e exterminar pelo menos 100 brasileiros em Portugal”. Por fim, disse dar “um bónus de 100 mil euros a quem trouxer a cabeça de Stefani Costa”.
Estas ameaças foram feitas em setembro depois de, em junho do ano passado, o mesmo homem ter enviado à jornalista uma imagem a segurar “armas que seriam usadas para matá-la”. A vítima apresentou queixa ao Ministério Público, com o apoio da embaixada brasileira, e o processo está a correr no DIAP de Lisboa, em articulação com a PJ.
