Exclusivo: As armas e o plano para “matar 3 a 10 pessoas” num atentado na Faculdade de Ciências em Lisboa

22 jul, 20:49

Os detalhes do plano de ataque pensado por João, conforme constam da acusação, a que a CNN Portugal e a TVI tiveram acesso

A investigação considera que a decisão final de praticar um ataque homicida-suicida na Universidade de Lisboa foi tomada a 18 de janeiro. João, natural da Batalha mas que vivia num quarto num apartamento arrendado nos Olivais, em Lisboa, montou um mural de recortes com imagens violentas junto à cabeceira da cama, retiradas a partir de uma banda desenhada “Mangá”, com o desejo de que depois do ataque na universidade esse mural acabasse por ser exibido ao público, nas notícias – conforme contou a um utilizador do Discord.

Adquiriu uma besta e 25 virotões; cinco facas, cinco isqueiros, dois maçaricos, duas latas de gás em spray, quatro latas de combustível, duas latas de gás butano, três garrafas em vidro com mistura inflamável e um arranca pregos. Descreveu tudo em mensagens com utilizadores do Discord, tal como os pormenores do plano. 

Comprou as latas de gás numa loja de produtos chineses nos Olivais e as armas no OLX e numa loja de caça em Lisboa. Arranjou ainda uma mala de viagem e uma mochila para transportar todas as armas e artigos até à universidade. 

Definiu que iria à casa de banho do anfiteatro 3 da faculdade, no bloco 3, onde se prepararia. A seguir atacaria no anfiteatro, quando alunos e professores ali estivessem a realizar exames de final de semestre. Escolheu o sítio por a casa de banho ser grande para se equipar e porque as cadeiras eram fixas ao chão, o que evitaria que pudessem ser arremessadas contra ele durante o ataque.

Usaria garrafas de vidro com misturas inflamáveis como “cocktails molotov”, com umas meias a fazer de pano no gargalo, provocando um incêndio e o pânico. Depois atiraria as latas de gás para o fogo, provocando explosões. Usaria as mesmas também como pequeno lança-chamas, conforme descreveu no Discord – e posicionar-se-ia à porta do anfiteatro, à espera de alunos em fuga e em pânico, atingindo-os com disparos de besta e esfaqueando-os, matando-os e ferindo-os – conforme descreveu João na confissão à Judiciária e à procuradora do Ministério Público.

Definiu que mataria pelo menos três a 10 pessoas antes de se matar ou ser morto pela polícia. Escolheu o dia 11 de fevereiro (“final day”), às 13h20, para iniciar o atentado na faculdade. Descreveu em inglês o plano ao pormenor num quadro na parede do quarto.

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