Exclusivo: As armas e o plano para “matar 3 a 10 pessoas” num atentado na Faculdade de Ciências em Lisboa
"Espero matar pelo menos quatro pessoas, mas quanto mais melhor". João Carreira partilhou detalhes do massacre na Faculdade de Ciências de Lisboa
João Carreira confessou e não deixou dúvidas: atentado ia mesmo acontecer na Universidade de Lisboa
Banda desenhada violenta e tiroteios em massa: as referências de João Carreira na preparação do atentado
Os detalhes do plano de ataque pensado por João, conforme constam da acusação, a que a CNN Portugal e a TVI tiveram acesso
A investigação considera que a decisão final de praticar um ataque homicida-suicida na Universidade de Lisboa foi tomada a 18 de janeiro. João, natural da Batalha mas que vivia num quarto num apartamento arrendado nos Olivais, em Lisboa, montou um mural de recortes com imagens violentas junto à cabeceira da cama, retiradas a partir de uma banda desenhada “Mangá”, com o desejo de que depois do ataque na universidade esse mural acabasse por ser exibido ao público, nas notícias – conforme contou a um utilizador do Discord.
Adquiriu uma besta e 25 virotões; cinco facas, cinco isqueiros, dois maçaricos, duas latas de gás em spray, quatro latas de combustível, duas latas de gás butano, três garrafas em vidro com mistura inflamável e um arranca pregos. Descreveu tudo em mensagens com utilizadores do Discord, tal como os pormenores do plano.
Comprou as latas de gás numa loja de produtos chineses nos Olivais e as armas no OLX e numa loja de caça em Lisboa. Arranjou ainda uma mala de viagem e uma mochila para transportar todas as armas e artigos até à universidade.
Definiu que iria à casa de banho do anfiteatro 3 da faculdade, no bloco 3, onde se prepararia. A seguir atacaria no anfiteatro, quando alunos e professores ali estivessem a realizar exames de final de semestre. Escolheu o sítio por a casa de banho ser grande para se equipar e porque as cadeiras eram fixas ao chão, o que evitaria que pudessem ser arremessadas contra ele durante o ataque.
Usaria garrafas de vidro com misturas inflamáveis como “cocktails molotov”, com umas meias a fazer de pano no gargalo, provocando um incêndio e o pânico. Depois atiraria as latas de gás para o fogo, provocando explosões. Usaria as mesmas também como pequeno lança-chamas, conforme descreveu no Discord – e posicionar-se-ia à porta do anfiteatro, à espera de alunos em fuga e em pânico, atingindo-os com disparos de besta e esfaqueando-os, matando-os e ferindo-os – conforme descreveu João na confissão à Judiciária e à procuradora do Ministério Público.
Definiu que mataria pelo menos três a 10 pessoas antes de se matar ou ser morto pela polícia. Escolheu o dia 11 de fevereiro (“final day”), às 13h20, para iniciar o atentado na faculdade. Descreveu em inglês o plano ao pormenor num quadro na parede do quarto.
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