Acusação: inspetor da PJ atinge menores a tiro e lança pânico na Telepizza

26 jul, 20:16
PJ

A procuradora do Ministério Público considera que o inspetor da PJ, que também era formador de tiro na altura, atuou consciente de que as suas ações iriam provocar ferimentos no corpo do jovem

Um inspetor da Polícia Judiciária de Lisboa foi acusado de ofensas à integridade física graves depois de ter atingido a tiro dois jovens, menores, que perseguiu de carro e a pé na zona das Colinas do Cruzeiro, Odivelas, a 28 de maio do ano passado. Os disparos foram feitos inclusive dentro de um restaurante da Telepizza, onde os menores se esconderam, espalhando o pânico junto de clientes que pensaram tratar-se de um assalto.

Na acusação a que a CNN Portugal teve acesso, do Ministério Público de Loures, lê-se que, ao início da noite, um grupo de jovens seguia pela rua quando um deles, de 14 anos, espreitou para o terraço da residência do inspetor da PJ, por ouvir um cão em sofrimento. A mulher do polícia estava no terraço, assustou-se, e gritou pelo marido, que de imediato decidiu perseguir o grupo. Os menores correram por várias ruas de Odivelas, parando depois junto ao restaurante. O polícia seguiu-os de carro e depois a pé, com a sua arma de serviço, uma Glock19. Ao ver os alegados suspeitos, identificou-se e efetuou um disparo para o ar.

O rapaz que tinha visto a espreitar para a sua casa fugiu. Começou a perseguição a pé, até à porta do restaurante, onde o inspetor da PJ efetuou mais dois disparos na direção do menor, que fugiu para dentro da Telepizza. Aí foram disparados mais dois tiros, um dos quais atingiu o jovem de 14 anos numa perna. Já na rua, e como o rapaz continuava a correr, o polícia fez novo disparo, acertando-lhe num pé e fazendo-o cair no chão.

Durante a perseguição, e face aos disparos, um outro jovem que estava numa esplanada foi atingido de raspão por uma das balas

Os ferimentos provocados no jovem de 14 anos obrigaram a cirurgias e tratamentos médicos de recuperação durante alguns meses.

A procuradora do Ministério Público considera que o inspetor da PJ, que também era formador de tiro na altura, atuou consciente de que as suas ações iriam provocar ferimentos no corpo do jovem.

Está agora acusado e arrisca uma pena de prisão, além de pena acessória de suspensão de funções.

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