REVISTA DE IMPRENSA | Portugal continua com uma das maiores taxas da União Europeia de crianças em risco de pobreza em famílias sobrecarregadas com custos de habitação
Mais de três mil crianças e jovens vivem em Portugal em situação de sem-abrigo ou privação habitacional grave, noticia o Público que cita o relatório intercalar de 2026 da Garantia para a Infância, enviado à Comissão Europeia. O documento identifica 3036 menores a residirem em contextos considerados insalubres, como tendas, barracas ou habitações muito degradadas, muitas sem acesso a saneamento básico.
Os dados resultam do inquérito anual da Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, referente a 2024, e apontam para a necessidade de soluções urgentes e duradouras. Apesar disso, a maioria dos municípios considera que existem respostas suficientes para evitar situações de crianças sem-abrigo, embora quase um quinto admita falhas na adequação dessas respostas.
O relatório sublinha ainda que Portugal continua com uma das maiores taxas da União Europeia de crianças em risco de pobreza em famílias sobrecarregadas com custos de habitação. A escassez de habitação social é também destacada, representando apenas 2% do total, um valor considerado baixo face aos padrões europeus.
Embora não existam relatos generalizados de crianças a viver na rua, organizações no terreno alertam para o aumento de famílias com menores em situações de grande precariedade habitacional, muitas vezes dependentes de apoios de emergência ou soluções temporárias.