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Country manager da The Alternative Board (TAB) em Portugal

Incêndios e PME: juntos na prevenção e na reconstrução

25 ago 2025, 17:00

Nos últimos dias, as imagens dos incêndios que devastaram o país entraram em cada casa e em cada telemóvel: hectares consumidos em minutos, empresas destruídas, explorações agrícolas reduzidas a cinzas, negócios a fechar portas sem previsão de reabertura. É uma dor coletiva que atinge não só as famílias, mas também o tecido empresarial. E, perante isto, fica uma questão inevitável: como podem os empresários preparar-se melhor para gerir o risco e proteger o futuro do seu negócio?

Portugal conhece bem a realidade dos incêndios, uma tragédia que se repete há demasiado tempo. Todos os anos, com maior ou menor intensidade, regressam as imagens de destruição, as perdas financeiras, os sonhos interrompidos. E todos os anos, muitas empresas veem-se surpreendidas, sem meios imediatos para reagir. Não é falta de resiliência porque os empresários portugueses já provaram inúmeras vezes a sua capacidade de reerguer negócios do zero. O desafio está em algo anterior: antecipar o risco e estruturar respostas que diminuam o impacto da tragédia quando ela acontece.

A importância da preparação

Gerir uma empresa é, por natureza, um ato de coragem. Todos os dias os gestores lidam com incertezas do mercado, da economia, das pessoas. Mas a gestão de risco continua a ser, muitas vezes, vista como um tema distante. E, no entanto, pode fazer toda a diferença.

Vale a pena refletir:

  • O meu seguro empresarial cobre de facto situações de catástrofe?
  • Tenho reservas mínimas que me permitam manter a operação por algum tempo, mesmo em paragem?
  • Existe um plano simples de continuidade de negócio, para que a equipa saiba o que fazer no primeiro dia de crise?
    Estas perguntas não são acusações. São pontos de partida para que cada PME possa construir soluções adaptadas à sua realidade, com pequenos passos que fazem toda a diferença quando chega a adversidade.

O papel do Estado e a autonomia das empresas

É natural procurar apoio do Estado em momentos de catástrofe e esses apoios são fundamentais para salvar empresas e empregos. Mas a sustentabilidade a longo prazo só se constrói quando cada empresa assume também a sua parte na prevenção. Apoios públicos devem ser complementares, não a única estratégia de sobrevivência. Quanto mais robustas forem as PME em termos de gestão de risco, mais rápido o país recupera coletivamente após cada crise.

A escolha de bons aliados

Outro fator decisivo é a qualidade da assessoria. Consultores que conheçam bem o setor e que tragam soluções práticas de mitigação podem ser o ponto de viragem entre perder tudo ou reerguer-se rapidamente. Gestão de risco não é apenas uma questão de burocracia ou seguros mínimos, é ter uma estratégia. É mapear riscos críticos, planear medidas preventivas e identificar desde já quem pode apoiar no pior cenário.

Exemplos simples de impacto real:

  • Uma unidade hoteleira em zona de risco florestal pode preparar protocolos de evacuação, seguros adequados e reservas que permitam uma reabertura rápida.
  • Um agricultor pode reduzir a vulnerabilidade diversificando culturas ou recorrendo a instrumentos financeiros de proteção.
  • Uma pequena fábrica pode investir em backups digitais fora das instalações e ter um plano básico de continuidade.

Não se trata de grandes investimentos imediatos, mas de pequenas decisões que fortalecem a resiliência empresarial.

Custos da inação

As perdas económicas por incêndios já ultrapassam centenas de milhões de euros. Mas mais grave do que os números são os impactos humanos: despedimentos, projetos adiados, famílias sem sustento. Preparar as empresas para resistirem melhor é, no fundo, proteger pessoas e comunidades.

Os caminhos possíveis estão na construção de uma cultura de prevenção exige disciplina, mas pode começar já por:

  1. Implementar planos básicos de gestão de risco em cada PME.
  2. Avaliar seguros para garantir que cobrem efetivamente as necessidades do setor.
  3. Criar pequenas reservas financeiras, de forma consistente.
  4. Procurar assessoria especializada, mais focada em estratégia do que em burocracia.
  5. Incentivar a mentalidade de prevenção em toda a equipa, em vez de depender apenas do improviso.

Uma reflexão final

Este não é um apelo à crítica, mas à ação. Cada crise é uma oportunidade de aprendizagem. E se há algo que os empresários portugueses já mostraram ao longo da história é que sabem erguer-se nas adversidades. A questão é: como podemos preparar-nos melhor para que, da próxima vez, a recuperação seja mais rápida, menos dolorosa e mais sustentável?

O risco faz parte da vida empresarial. O que está ao nosso alcance é reduzir vulnerabilidades e construir resiliência. Porque juntos, empresários, consultores, Estado e comunidade, podemos transformar cada tragédia num ponto de partida para um futuro mais seguro.

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