"Não há justificação" para "proteger" a TAP: Ryanair não poupa críticas a Bruxelas

22 dez 2021, 18:35
Michael O'Leary, CEO da Ryanair
Michael O'Leary, CEO da Ryanair

Companhia aérea low-cost, que se assume como "a número 1 em Portugal", diz que a decisão da Comissão Europeia "prejudica ainda mais a concorrência"

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A Ryanair já reagiu à luz verde de Bruxelas à TAP, não poupando críticas à Comissão Europeia, em particular a Margrethe Vestager, pelo que diz ser uma proteção à transportadora portuguesa.

“Não há justificação económica para conceder a uma companhia aérea como a TAP mais de 2,6 mil milhões de euros em auxílios estatais, protegendo-a da concorrência no Aeroporto da Portela. A comissária Margrethe Vestager errou, claramente, ao não exigir à TAP a entrega de pelo menos 30% dos seus slots diários em Lisboa, equivalente à redução de 30% da sua frota", critica Michael O’Leary, CEO do Grupo Ryanair, em comunicado enviado à CNN Portugal.

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Michael O'Leary refere-se à Injeção estatal na TAP de 2,62 mil milhões (e que pode chegar aos 3,2 mil milhões), como a CNN Portugal avançou em primeira mão na terça-feira, e que o CEO da Ryanair diz que vai custar "260 euros por cada homem, mulher e criança em Portugal" por uma companhia aérea "que transporta apenas 14 milhões de passageiros por ano".

O diretor executivo da Ryanair sublinha que a decisão de retirar 18 slots à TAP, o que, indicou, só vai acontecer no inverno de 2022, ou seja, dentro de um ano, uma vez que o próximo leilão de faixas horárias só terá lugar no próximo verão, "prejudica ainda mais a concorrência e as escolhas dos consumidores em Lisboa e irá atrasar a recuperação do Aeroporto da Portela".

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A Ryanair explica que, apesar de confirmada a redução da frota da TAP em 30%, a companhia portuguesa teve apenas de abdicar de "menos de 5% do total de slots em Lisboa", o que, na sua análise, "permite à TAP continuar a bloquear as mesmas e continuar a dificultar a operação da concorrência e a escolha de companhias aéreas low-cost".

Para a companhia irlandesa a cedência de apenas 18 slots é insuficiente e incompreensível, crítica que fez já chegar à comissária europeia Margrethe Vestager, manifestando ainda pouca fé no sucesso da TAP.

"Apelamos à comissária Margrethe Vestager que pare de conceder auxílios estatais a transportadoras aéreas nacionais sem futuro, e que comece a promover a concorrência e o interesse dos consumidores, acelerando os desinvestimentos significativos de slots o mais cedo possível, mesmo quando as transportadoras aéreas nacionais recebem biliões de euros em auxílios estatais desperdiçados", defende.

O Governo, recorde-se, chegou a acordo com a Comissão Europeia para o plano de reestruturação da TAP. Bruxelas autorizou a transportadora portuguesa a ficar com uma dimensão de operação aérea próxima da atual, mas perdendo 18 slots (nove duplas, de aterragem e descolagem) no aeroporto de Lisboa.

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A TAP fica também com a atual frota de 96 aviões. Serão menos 12 do que a empresa tinha há cerca de um ano, quando iniciou cortes internos, e seis acima dos 88 aviões que estavam propostos no plano de reestruturação inicial. Ao longo dos anos da reestruturação, a frota poderá subir aos 99 aviões. 

Com esta frota, a transportadora aérea não precisa de iniciar um novo plano de despedimentos, o que era um dos maiores receios dos sindicatos. Mas além da perda de slots terá de suportar outros remédios, incluindo a venda de empresas. No total, a Comissão Europeia autorizou injeções no valor de 2,63 mil milhões de euros, que na verdade ascendem a 3,2 mil milhões, quando se incluem valores ao abrigo das ajudas covid.

 

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