A inspetora referiu ainda que os agentes demonstraram receio e uma postura menos favorável perante o suspeito, considerando que estavam em desvantagem na situação
A inspetora-chefe da Polícia Judiciária, responsável pelas diligências no caso da morte de Odair Moniz, afirmou esta segunda-feira em tribunal ter visto diretamente um punhal numa das bolsas associadas à vítima no local da ocorrência, sublinhando que essa observação foi feita por si própria e não comunicada por terceiros.
A responsável referiu ainda que foram apreendidas as bolsas e a documentação que se encontrava no seu interior, algumas das quais apresentavam perfurações compatíveis com projéteis de arma de fogo. O veículo da vítima foi posteriormente rebocado para instalações da Polícia Judiciária, onde tiveram lugar diligências de inspeção judiciária.
Foram realizados exames periciais ao punhal, às roupas e a vestígios de sangue, bem como análise da faca e de outros elementos recolhidos. No local foram encontradas duas cápsulas, sendo referido pela PSP que terão sido efetuados quatro disparos.
A análise das imagens e da distância dos disparos indica que o primeiro terá atingido a zona do tórax e o segundo as pernas, a cerca de 20 a 30 centímetros e 40 a 50 centímetros, respetivamente.
Segundo a testemunha, os agentes envolvidos seriam dois profissionais com pouca experiência operacional, fator que poderá ter influenciado a forma como a abordagem foi conduzida. A vítima terá apresentado comportamento violento, resistindo à detenção e agredindo o agente Bruno Pinto e o outro agente, segundo a inspetora que esta segunda-feira é ouvida em tribunal.
A agente da PJ referiu ainda que os agentes demonstraram receio e uma postura menos favorável perante o suspeito, considerando que se encontravam em desvantagem na situação, tendo sublinhado também que, nas imagens analisadas, não é possível observar de forma clara qualquer arma branca na posse da vítima no momento dos disparos.
Em tribunal, a inspetora questionou ainda a eventual manipulação da faca, referindo que não foram encontrados vestígios lofoscópicos nem biológicos da vítima, algo que considera improvável caso tivesse sido manuseada.
Ao longo da sessão, a testemunha destacou que a investigação procurou identificar o maior número possível de testemunhas, incluindo agentes da PSP e moradores que presenciaram os factos.
