Polícia Judiciária deteve em Cascais um dos cabecilhas de uma das maiores organizações criminosas da América Latina. O traficante conhecido como “Hulk” já tinha sido condenado a 29 anos de prisão no Brasil, mas conseguiu fugir do país
O criminoso brasileiro Ygor Daniel Zago, mais conhecido por “Hulk”, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) num condomínio de luxo em Cascais. É considerado um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas da América Latina, e estava foragido com a mulher, Fernanda Zago, depois de terem escapado às autoridades no Brasil, onde "Hulk" foi condenado a 29 anos de prisão.
“Hulk”, 44 anos, era alvo de um mandado de prisão preventiva decretado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. De acordo com a CNN Brasil, as autoridades brasileiras descrevem Ygor Daniel Zago como alguém que exercia uma posição de destaque dentro da estrutura criminosa, que comandava redes de pessoas, empresas e veículos usados no transporte de metanol e na sua utilização fraudulenta para adulterar combustível, causando prejuízo aos consumidores e colocando em risco a saúde pública, o meio ambiente e a economia.
A detenção anunciada no domingo representa também um passo no combate à expansão do PCC, que tem vindo a recrutar portugueses e a estabelecer operações na Europa, usando Portugal como porta de entrada e como base logística, algo já demonstrado pela identificação de 87 elementos associados à organização em território nacional.
Com a detenção de Ygor Zago e da mulher em Cascais, o Tribunal da Relação de Lisboa irá agora decidir sobre a extradição para o Brasil, onde “Hulk” continua alvo de processos por organização criminosa, lavagem de bens e valores, comércio ilícito de produtos adulterados e corrupção, além da condenação anterior a 29 anos de prisão por tráfico internacional de drogas, pena que até agora não cumpriu devido às fugas sucessivas e à atuação da rede criminosa que o ajudou a escapar e a estabelecer-se no estrangeiro.
Em junho de 2021, o narcotraficante e a mulher foram detidos no litoral de São Paulo, onde viviam uma vida de luxo, tinham iates, carros de luxo e até um helicóptero, mas acabaram por fugir através do Perú, seguiram para Itália e acabaram por se instalar em Portugal em maio deste ano, onde Ygor Zako continuou a gerir as suas operações.
Durante a investigação, a Polícia Judiciária constatou que o casal não só vivia de forma luxuosa em Portugal como mantinha movimentações financeiras compatíveis com atividades de lavagem de dinheiro, tendo sido encontrados valores suspeitos na conta bancária de Fernanda Zago e identificados veículos de luxo utilizados por membros da organização, reforçando indícios de que Portugal era utilizado como base para ocultação de bens e fundos derivados das atividades ilegais da organização criminosa.
Segundo a PJ, “Hulk” era o elemento que estava no topo da operação, tomava decisões estratégicas, emitia ordens a subordinados e geria os recursos financeiros da rede criminosa, o que confirma as suspeitas do papel de líder que exercia dentro da estrutura transnacional descoberta pelas autoridades.
O facto de o casal brasileiro se encontrar foragido reforçou a necessidade de captura internacional, já que o Ministério Público de São Paulo afirmou explicitamente que não conhecia a localização de “Hulk”, considerando insuficientes quaisquer medidas cautelares alternativas à prisão e justificando o estatuto de foragido e o alerta internacional que acabou por levar à captura do criminoso em Portugal.
Já em março tinha sido detido em Portugal outro alto elemento do PCC, Gabriel Martinez Souza, que vivia numa vivenda de luxo em Alcochete e era quem liderava o grupo de mergulhadores que retirava a droga escondida nos navios junto aos lemes.