"Estás armado em quê, caraças*?" [*na verdade a palavra é outra]: como FC Porto, Benfica e Sporting reagiram até aqui à morte dos maiores ícones

17 fev 2025, 11:51
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Benfica e Sporting têm sido muito criticados por terem ficado institucionalmente em silêncio sobre a morte de Pinto da Costa. Quando Eusébio, Manuel Fernandes e Fernando Gomes morreram, todos se manifestaram sobre todos

aviso: este artigo contém transcrições de diálogos que podem ofender a suscetibilidade dos leitores
 

Pinto da Costa morreu no sábado e até esta segunda-feira, dia do funeral, não houve ainda de Sporting e Benfica uma reação à morte. No passado mais ou menos recente, as três instituições sempre assinalaram e respeitaram a partida de figuras icónicas.

Recuemos à morte de Eusébio, em 2014, dia 5 de janeiro. 

Aquando da morte do Pantera Negra, tinha 71 anos Eusébio, o Sporting logo naquele dia emitiu um comunicado, expressando “profundo pesar” pela partida de um “símbolo do desporto nacional”. “À família de Eusébio e amigos, o Sporting Clube de Portugal apresenta os seus sentidos pêsames”, referia ainda o clube de Alvalade.

À época o presidente leonino era Bruno de Carvalho. E Bruno de Carvalho, acompanhado do seu então diretor-geral Augusto Inácio, marcaria presença na missa de corpo presente de Eusébio. 

Presente no velório esteve também Jorge Nuno Pinto da Costa. No dia da partida de Eusébio, o então presidente portista resolveu falar no Porto Canal. Declarou Pinto da Costa que “o futebol português está de luto”, pois havia partido um dos “maiores símbolos da modalidade”. E disse mais ainda: partira “o maior jogador português da sua geração” e, sobretudo, “um grande ser humano e um exemplo de fair-play”.

Pinto da Costa insistiu em elogiar as “qualidades de jogador fenomenal” e o “caráter e forma de ser de um grande ser humano” - enviando pêsames diretamente “à mulher, a D. Flora”. 

No dia a seguir à morte de Eusébio, disputou-se no estádio a Luz um clássico Benfica-FC Porto. Haveria lugar, como sempre, a um minuto de silêncio. Na bancada onde estavam os Super Dragões, o minuto não era respeitado. Cantava-se: “E quem não salta é lampião! E quem não salta é lampião!”

Fernando Madureira, o “Macaco”, líder da claque, puxa do megafone:

— Oh! Estás armando em quê, caralho? Que é esta merda?!

A claque não sente a reprimenda.

— Puta que pariu o preto!

E Macaco adverte, “é um pedido do presidente, caralho!”; advertência entregue, silêncio cumprido. 

Aquando de morte de outra futebolista, no caso de Fernando Gomes, o “Bibota”, a 26 de novembro de 2022 - tinha 66 anos -, o Sporting reagiu primeiro. Afinal, e embora ídolo portista, Gomes também jogou no Sporting, entre 1989 e 1991, no fim de carreira, marcando 38 golos em 79 jogos.

“O Sporting Clube de Portugal manifesta o seu pesar pela morte de Fernando Gomes. Aos familiares e amigos, o Sporting endereça as mais sentidas condolências, não deixando de enaltecer e agradecer os anos de dedicação e devoção [de Fernando Gomes] ao clube", lia-se no site. 

O Sporting não se fez representar no velório e funeral do antigo avançado. Nem o Benfica se fez. Mas também o Benfica fez um comunicado, expressando “condolências pelo falecimento de uma das figuras maiores do futebol português”, endereçando “sentidos pêsames” aos amigos e à família de Gomes - sem qualquer referência ao clube de sempre de Gomes. 
 

Mais recentemente partiria Manuel Fernandes. Foi a 27 de junho de 2024. Tinha 73 anos. Como Gomes, vitima de cancro.

O Benfica desejou que “descanse em paz”, expressando “profundas condolências” pela sua morte. O comunicado oficial foi curto. Rui Costa, presidente, marcou presença no velório de Fernandes e falou assim: “Estamos a falar de uma grande figura do futebol português que, independentemente das qualidades futebolísticas, merece todo o nosso respeito - quer enquanto presidente do Benfica, quer enquanto Rui Costa e ex-jogador de futebol. Portanto, nessas duas vertentes, também queremos homenagear uma figura tão importante do futebol português, que tanto honrou o futebol. E nestas situações as rivalidades ficam à parte”.

E ficaram as rivalidades à parte, estando o presidente benfiquista à conversa largo minutos com Frederico Varandas.

André Villas-Boas, presidente portista, esteve presente no estádio José Alvalade para o velório de Manuel Fernandes. E quis dizer falar aos jornalistas. “Acima de tudo quero prestar as mais sinceras homenagens, os meus sentimentos, os meus pêsames a toda a família do Manuel Fernandes e à família sportinguista. Deixa-nos uma grande lenda do futebol, que trará grande memória, evidentemente, para a família sportinguista, mas também uma pessoa digna, honrada, que sempre honrou o futebol português e que trouxe sempre muita competitividade contra o nosso FC Porto. Venho prestar aqui as devidas homenagens."

Pinto da Costa não era já presidente do FC Porto aquando da morte do avançado e antigo capitão leonino. O FC Porto deixou ainda uma breve nota no site para assinalar que “recebeu com consternação a notícia da morte de Manuel Fernandes, figura do Sporting CP e da Seleção Nacional”. “À família enlutada, o FC Porto apresenta as mais sentidas condolências”, terminava o texto.

Inácio, hoje comentador e antigo jogador de FC Porto (é um dos campeões europeus de 1987) e Sporting, reagiu com dureza às ausências dos grandes de Lisboa nas condolências à morte de Pinto da Costa: “As instituições Sporting e Benfica são muito grandes em relação à pequenez dos seus presidentes sobre a morte de Pinto da Costa. Os adeptos destes clubes não se reveem nisto”.

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