Os efeitos no PIB e no PIB per capita resultantes dos novos números divulgados pelo INE para a população residente em Portugal só serão possíveis de apurar quando os números do emprego e do próprio PIB foram reavaliados em 2027, explica fonte do INE à CNN Portugal
A população residente em Portugal no final de 2025 era de 11,4 milhões de pessoas, dos quais 1,6 milhões de nacionalidade estrangeira. As novas estimativas sobre a população residente foram divulgadas a 22 de junho pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), foram as primeiras de base totalmente administrativa e mostraram que a população de nacionalidade estrangeira entre 2021 e 2025 mais do que duplicou, correspondendo a um aumento de quase 850 mil pessoas.
Na divulgação, o INE juntava uma nota técnica que explicava os detalhes do apuramento dos novos dados e quais as implicações que os mesmos iriam ter num conjunto alargado de dados estatísticos divulgados pelo próprio Instituto, nomeadamente no emprego e, consequentemente, no próprio Produto Interno Bruto (PIB) [Contas Nacionais].
Apesar dos alertas feitos pelo Instituto, e de forma quase imediata, foram várias as reações aos números divulgados que vaticinavam uma queda dos valores do PIB per capita resultante do mesmo valor do PIB nominal sobre uma população residente bastante maior.
O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, por exemplo, num artigo de opinião publicado no Expresso escrevia que os dados revelados pelo INE revelavam “que, nos anos de governação socialista, a riqueza por habitante cresceu muito menos do que nos disseram”. Ou seja, concluía o ministro, “o modelo económico de entrada massiva de trabalhadores de baixas qualificações e baixos salários (e exportação de jovens qualificados) foi um erro”. “Caiu a narrativa da recuperação pós-pandemia e da convergência com a Europa. E caiu Portugal, ultrapassado por vários países europeus”, sublinhou.
Mas é possível tirar conclusões dobre os dados do PIB per capita com base nos novos números da população residente?
Em resposta à CNN Portugal, o INE explica que não é possível. Fonte oficial do Instituto começa por lembrar que, tal como referido na nota técnica, “em função das revisões ocorridas sobre a população empregada do Inquérito ao Emprego, os resultados das Contas Nacionais terão de ser reavaliados”, isto porque, apesar de nas Contas Nacionais [PIB], a avaliação da atividade económica assentar “primordialmente em fontes de informação que não sofreram alterações (nomeadamente a Informação Empresarial Simplificada), existe uma parcela da atividade económica, não observada nas fontes tradicionais, que é estimada tendo em consideração a população empregada do Inquérito ao Emprego”.
Deste modo, prossegue o Instituto, “atendendo à revisão em alta da população, a expectativa é que a população empregada estimada a partir do Inquérito ao Emprego seja igualmente revista em alta e, consequentemente, o PIB. Tendo em consideração a necessidade de revisão do PIB, previsivelmente em alta, o INE considera que o recálculo do PIB per capita só deverá ocorrer quando o numerador (PIB) e o denominador (população) estiverem atualizados”.
Ou seja, conclui a mesma fonte, “neste momento, dado que os impactos da revisão da população sobre os resultados do Inquérito ao Emprego não são conhecidos, não é possível adiantar qualquer informação especifica sobre as eventuais revisões nas Contas Nacionais, nem sobre o PIB e as suas componentes nem, consequentemente, sobre o PIB per capita”.
Na nota técnica o INE explica ainda que os dados do emprego que serão divulgados já tendo em conta os novos dados da população residente deverão ser tornados públicos em fevereiro de 2027 e os dados das contas nacionais em março de 2027.
