Economia portuguesa resiste e cresce 0,4% no terceiro trimestre

31 out, 09:44
Economia (AP Photo/Armando Franca)

Também a zona euro e a União Europeia escaparam a valores negativos e cresceram, quer em termos homólogos, como em relação ao segundo trimestre do ano

A economia portuguesa registou um crescimento de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre de 2022 face ao trimestre anterior, segundo dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Um resultado que permite afastar um cenário de que a economia nacional poderia já estar em terreno negativo em resultado da subida da inflação e consequente diminuição do consumo das famílias.

"Comparando com o 2º trimestre de 2022, o PIB aumentou 0,4% em volume, mais 0,3 pontos percentuais que o registado no trimestre anterior", salienta o Instituto, sublinhando que "o contributo da procura interna para a variação em cadeia do PIB passou a positivo, destacando-se o crescimento do consumo privado apesar da aceleração dos preços no consumidor, enquanto o contributo da procura externa líquida foi inferior ao observado no trimestre precedente".

Segundo os dados do INE, a evolução da economia no terceiro trimestre face ao mesmo período do ano passado registou um crescimento de 4,9%, uma desaceleração face aos 7,4% registados no trimestre anterior.

"O contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB diminuiu no 3º trimestre, verificando-se uma desaceleração do consumo privado e do investimento", salienta o INE, adiantando que "o contributo positivo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB também diminuiu, traduzindo a desaceleração das Exportações de Bens e Serviços, em volume, mais intensa que a das Importações".

Os dados divulgados pelo INE ultrapassam, assim a generalidade das estimativas que existiam para este terceiro trimestre do ano. O Banco de Portugal, por exemplo, apontava para um crescimento face ao trimestre anterior de apenas 0,1% e as previsões da Católica Lisbon Forecasting Lab – NECEP apontavam para um recuo de 0,5%, embora também admitisse, face ao atual clima de incerteza, como plausível a previsão da instituição liderada por Mário Centeno.

Já na semana passada, um conjunto de economistas contactados pela agência Lusa, citados pela generalidade da imprensa apontavam para resultados que variavam entre um crescimento de 4,1% a 6,5% em termos homólogos, e entre uma contração de 0,4% e um crescimento de 0,8% em cadeia no terceiro trimestre.

UE e zona euro também escapam a valores negativos

A economia da zona euro também cresceu, atingindo 2,1% no terceiro trimestre face ao mesmo período de 2021, enquanto a União Europeia (UE) acelerou 2,4%. Este crescimento homólogo fica, porém, abaixo do registado no trimestre anterior, quando ambas as zonas cresceram 4,3%, segundo os dados divulgados esta segunda-feira pelo Eurostat, o gabinete estatístico da UE.

Já na variação em cadeia, no terceiro trimestre de 2022, o PIB cresceu 0,2% tanto na zona euro como na UE, uma desaceleração face ao resultado do segundo trimestre quando a economia tinha acelerado 0,8% na área da moeda única e 0,7% no conjunto da União.

Entre os 11 Estados-membros para os quais existem dados disponíveis para o terceiro trimestre deste ano, Portugal registou a maior subida em termos homólogos, ao crescer 4,9%.

As taxas de crescimento homólogas foram positivas para todos os países para os quais existem dados disponíveis exceto para a Letónia (-0,4%), segundo o Eurostat.

Já na variação em cadeia, neste terceiro trimestre face ao anterior, a Suécia (+0,7%) teve o maior aumento, seguida da Itália (+0,5%), Portugal e Lituânia (ambos +0,4%).

Já as maiores descidas verificaram-se na Letónia (-1,7%) e na Áustria e na Bélgica (ambos -0,1%).

Relacionados

Economia

Mais Economia

Patrocinados