Economia portuguesa cresce 4,9% em 2021

Agência Lusa , AM
31 jan, 09:37
Dinheiro

Recorde-se que estes dados motivaram uma pequena polémica durante a campanha eleitoral, quando António Costa referiu que o país tinha crescido 4,6% no ano passado e foi acusado de ter acesso aos números do INE antes do tempo

A economia portuguesa cresceu 4,9% em 2021, de acordo com os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). É o valor mais elevado desde 1990, "após a diminuição histórica de 8,4% em 2020, na sequência dos efeitos marcadamente adversos da pandemia covid-19 na atividade económica".

Segundo o INE, no quarto trimestre de 2021, o PIB cresceu 5,8% em termos homólogos e 1,6% em cadeia.

"Em termos reais, o Produto Interno Bruto (PIB) registou uma variação homóloga de 5,8% no 4º trimestre de 2021 (4,5% no trimestre anterior). Comparando com o 3º trimestre de 2021, o PIB aumentou 1,6% em volume (crescimento em cadeia de 2,9% no trimestre anterior), refletindo uma diminuição do contributo positivo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB", lê-se no comunicado do INE.

Recorde-se que estes dados motivaram uma pequena polémica durante a campanha eleitoral, quando António Costa referiu que o país tinha crescido 4,6% no ano passado e foi acusado de ter acesso aos números do INE antes do tempo. Rui Rio aproveitou mesmo para dizer que este número seria abaixo do estimado pelo Governo que, na altura do Orçamento do Estado, tinha previsto 4,8% de crescimento. Afinal, as contas do INE até superaram essa previsão mais otimista.

Dados superam estimativas

Os dados superam quer as estimativas do Governo, quer das principais instituições nacionais e internacionais.

O ministro das Finanças, João Leão, assegurou em 17 de janeiro, que as medidas de apoio à economia e saúde adotados em dezembro devido ao agravamento da covid-19 no país não alteravam a previsão de crescimento económico de 4,8% em 2021, em linha com as projeções do Banco de Portugal e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

Entre as principais instituições nacionais e internacionais, a menos otimista era o Fundo Monetário Internacional, que projetava um crescimento de 4,4%, enquanto a Comissão Europeia previa uma subida de 4,5% e o Conselho das Finanças Públicas de 4,7%.

A explicar a evolução está, segundo o INE, "um contributo positivo expressivo" da procura interna, depois "de ter sido significativamente negativo em 2020", registando-se uma recuperação do consumo privado e do investimento.

Já o contributo da procura externa líquida foi "bastante menos negativo em 2021", explica o organismo de estatística, detalhando que se registaram "crescimentos significativos" das importações e das exportações de bens e de serviços.

No quarto trimestre de 2021, o PIB cresceu 5,8% em termos homólogos e 1,6% em cadeia. Em termos homólogos, o contributo da procura externa líquida foi positivo, devido a uma aceleração em volume das exportações de bens e serviços, tendo-se registado também um contributo positivo da procura interna.

"Refira-se ainda que no quarto trimestre de 2021 se verificou uma perda significativa nos termos de troca, mais intensa que nos dois trimestres precedentes, em resultado do crescimento pronunciado do deflator das importações, nomeadamente de bens energéticos e matérias-primas", refere o relatório do INE.

Já a variação em cadeia do PIB no quarto trimestre refletiu uma diminuição do contributo positivo da procura externa líquida.

Economias da zona euro e da UE cresceram 5,2% em 2021

As economias da zona euro e da União Europeia (UE) cresceram 5,2% em 2021, segundo uma estimativa rápida divulgada pelo Eurostat.

O serviço de estatísticas europeu estima ainda que, no quatro trimestre de 2021, o Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro tenha avançado 4,6% e o da UE 4,8%, face ao mesmo período de 2020, uma aceleração quando comparados com os 3,9% e 4,1%, respetivamente, do terceiro trimestre.

Já na variação em cadeia, no quarto trimestre o crescimento do PIB abrandou para os 0,3% na zona euro e 0,4% na UE, depois de ter subido, entre julho e setembro de 2021, 2,3% na zona euro e 2,2%, respetivamente.

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