FMI está mais pessimista e vê zona euro a crescer 2,8% este ano. Previsão da taxa de inflação em Portugal em linha com Governo

Agência Lusa , BCE
19 abr, 15:16

O FMI prevê ainda que a inflação em Portugal se situe nos 4% este ano, uma revisão em alta face aos 1,3% previstos em outubro, mas abaixo dos 5,3% esperados para a zona euro, segundo as Previsões Económicas Mundiais

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está mais pessimista sobre o crescimento económico da zona euro, prevendo agora uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,8% este ano e de 2,3% em 2023.

De acordo com as Previsões Económicas Mundiais, a instituição com sede em Washington reviu em baixa as projeções de expansão do PIB dos países da moeda única em 1,1 pontos percentuais (pp) para este ano e em 0,2 pp para 2023, face ao que previa em janeiro.

O corte nas previsões segue a tendência para as principais economias mundiais, refletindo sobretudo o impacto indireto da guerra na Ucrânia.

Segundo o FMI, o impacto da guerra na Ucrânia e das sanções à Rússia chega à zona euro sobretudo através dos aumentos dos preços globais de energia e da segurança energética.

“Por serem importadores líquidos de energia, preços globais mais elevados representam um choque negativo no comércio para a maioria dos países europeus, traduzindo-se numa menor produção e inflação mais alta”, assinala.

A instituição liderada por Kristalina Georgieva destaca ainda que os constrangimentos nas cadeias de abastecimento também prejudicaram algumas indústrias, incluindo o setor automóvel, com a guerra e as sanções a dificultar ainda mais a produção.

Assim, entre as principais economias da moeda única, o FMI cortou a perspetiva de crescimento do PIB deste ano da Alemanha para 2,1%, de França para 2,9%, de Itália para 2,3% e de Espanha para 4,8%.

Já em 2023, vê a economia alemã a crescer 2,7%, a francesa 1,4%, a italiana 1,7% e a espanhola 3,3%.

FMI vê taxa de inflação em Portugal nos 4% este ano em linha com Governo

O FMI prevê que a inflação em Portugal se situe nos 4% este ano, uma revisão em alta face aos 1,3% previstos em outubro, mas abaixo dos 5,3% esperados para a zona euro, segundo as Previsões Económicas Mundiais, divulgadas esta terça-feira.

De acordo com a atualização das projeções macroeconómicas conhecidas esta terça-feira, o FMI vê a inflação medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) a acelerar de 0,9% em 2021 para 4% este ano, uma revisão em alta de 2,7 pontos percentuais (pp.) quando comparado com as projeções divulgadas em outubro do ano passado.

A projeção do FMI alinha com a do Governo, inscrita na proposta do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) e com a do Banco de Portugal, ficando muito próxima da previsão do Conselho das Finanças Públicas (3,9%).

A previsão da instituição com sede em Washington coloca a taxa de inflação em Portugal abaixo da média da zona euro, para a qual o FMI espera 5,3% este ano.

No entanto, antecipa uma descida da taxa de inflação para 1,5% em 2023 em Portugal.

Entre as principais economias da zona euro, o FMI espera este ano uma inflação de 5,5% na Alemanha, de 4,1% em França e de 5,3% em Itália e em Espanha. Para 2023, antecipa uma descida para 2,9% na Alemanha, 1,8% em França, 2,5% em Itália e 1,3% em Espanha.

FMI revê em baixa crescimento do PIB mundial para 3,6%

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa as previsões para o crescimento económico mundial este ano em 0,8 pontos percentuais (pp), para 3,6%, devido sobretudo ao impacto da guerra na Ucrânia.

De acordo com a atualização das projeções económicas mundiais, a instituição liderada por Kristalina Georgieva vê a economia mundial a crescer 3,6% este ano e em 2023, um corte de 0,8 pp e de 0,2 pp, respetivamente, em comparação com as previsões de janeiro.

A desaceleração do crescimento face aos 6,1% em 2021 assume que o conflito na Ucrânia permanece confinado ao país, que as novas sanções à Rússia não abrangem o setor de energia e os impactos económicos e de saúde da pandemia diminuem ao longo de 2022.

“A guerra na Ucrânia desencadeou uma crise humanitária dispendiosa que, sem uma solução rápida e pacífica, pode tornar-se esmagadora. O crescimento global deverá desacelerar significativamente em 2022, em grande parte como uma consequência da guerra”, assinala a instituição de Bretton Woods.

Entre as principais economias mundiais, os EUA deverão crescer 3,7% este ano, assim como o Reino Unido, e a China 4,4%, enquanto para a zona euro prevê uma expansão de 2,8% e para a Índia de 8,2%.

Segundo o FMI, uma forte queda de dois dígitos no Produto Interno Bruto (PIB) é esperada na Ucrânia (-35%), sendo também projetada uma profunda contração para a Rússia devido às sanções económicas (-8,5%).

O FMI alerta que os custos económicos da guerra deverão chegar aos restantes países através dos mercados de 'commodities' (matérias-primas), do comércio e, em menor grau, das interligações financeiras, salientando que os aumentos de preços de combustíveis e alimentos já estão a ter impacto a nível global.

“A guerra também aumentou a já elevada incerteza sobre o panorama global”, adverte o relatório, que sublinha que, embora muitos países pareçam estar a ultrapassar a fase mais aguda da pandemia, podem surgir novas variantes.

Além da guerra na Ucrânia, o FMI identifica ainda o aperto da política monetária e a volatilidade do mercado financeiro, bem como a retirada do apoio orçamental, o desacelerar da China e o acesso às vacinas contra a covid-19 como condicionantes das previsões no curto prazo.

Antecipa ainda que a inflação deverá permanecer elevada por mais tempo do que o previsto em janeiro, impulsionada pela guerra e pelos aumentos dos preços das 'commodities' e das pressões sobre os preços.

Para 2022, projeta uma inflação de 5,7% nas economias avançadas e 8,7% nos mercados emergentes e economias em desenvolvimento, considerando que, embora espere uma resolução gradual dos desequilíbrios entre a oferta e a procura e uma recuperação modesta na oferta de trabalho, a previsão está envolta em incerteza.

“Se surgirem sinais de que a inflação será alta no médio prazo, os bancos centrais serão forçados a reagir mais rápido do que o previsto atualmente – subindo as taxas de juros e expondo as vulnerabilidades da dívida, particularmente nos mercados emergentes”, refere o relatório.

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