Amadeu Guerra "insatisfeito" mas "de consciência tranquilíssima" com divulgação de escutas da Operação Influencer

CNN Portugal , BCE
9 dez 2025, 12:51

Sobre o caso da Spinumviva, o procurador-geral da República disse esperar que averiguação preventiva à empresa da família do primeiro-ministro, Luís Montenegro, fique concluída até ao início das férias judiciais, em 22 de dezembro

O procurador-geral da República, Amadeu Guerra, admitiu estar "insatisfeito" com a divulgação das escutas telefónicas relacionadas com a Operação Influencer, que envolvem o ex-primeiro-ministro, António Costa.

"Eu sou contra a divulgação de escutas ou outras provas em segredo de justiça. Não fiquei satisfeito, como é evidente", declarou aos jornalistas, acrescentando que foi aberta uma investigação para "verificar se é possível saber quem é que forneceu as informações".

Em causa está uma notícia publicada pela revista Sábado, no passado dia 3,  que dá conta do resumo das transcrições de escutas que envolvem António Costa na Operação Influencer.

No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República esclareceu, em comunicado, que nem todos os inquéritos deste caso têm segredo de justiça interno, o que possibilitou o acesso dos arguidos aos autos "por diversas vezes", e anunciou que o Ministério Público iria fazer uma "participação criminal pelo conteúdo" então noticiado.

Reiterando que "não foi só o Ministéro Público que teve acesso à informação", o procurador-geral da República afirmou que o Ministério Público "não atira culpas para terceiros" e "assume as culpas".

"Não arranjem problemas quanto ao prestígio do procurador-geral. Eu estou de consciência tranquilíssima. Muitas das declarações que faço muitas vezes são mal interpretadas, não sei porquê. Imagino, mas não quero afirmar porquê", observou.

Amadeu Guerra garante que as escutas "estão preservadas" e "não foram acessíveis", até porque "os resumos das escutas constam do processo" e o Ministério Pública "não pode tirar folhas dos processos". "Se tivéssemos tirado isso, os arguidos que consultaram os processos teriam vindo queixar-se de que lhes tirámos informação", acrescentou.

Sobre o caso Spinumviva, o procurador-geral da República disse esperar que a averiguação preventiva à empresa da família do primeiro-ministro, Luís Montenegro, fique concluída até ao início das férias judiciais de Natal, em 22 de dezembro.

"É muita documentação para analisar. Foi pedida documentação ao primeiro-ministro, à empresa, aos clientes da Spinumviva", observou Amadeu Guerra, lamentando que esses documentos não tenham sido “entregues com a celeridade” que Ministério Público pretendia.

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