É uma das estratégias russas para fugir às sanções internacionais
A Rússia enviou pelo menos um navio de guerra para escoltar um petroleiro que a Guarda Costeira dos EUA tentou apreender, segundo notícias do Wall Street Journal (WSJ) e do New York Times (NYT).
Citando uma fonte norte-americana não identificada, o WSJ noticiou que Moscovo enviou um submarino e outras embarcações para escoltar o petroleiro Marinera, anteriormente conhecido como Bella 1. Já o NYT, citando a sua fonte, escreveu que a Rússia enviou "pelo menos um navio de guerra".
Entretanto, a emissora russa RT, citando uma fonte conhecedora do processo, afirma que um helicóptero estava esta quarta-feira a tentar aterrar no petroleiro Marinera, com aquilo que se acredita serem forças militares norte-americanas a bordo.
O mesmo cenário confirma a Reuters, que noticia uma tentativa de apreensão do petroleiro ligado à Venezuela, depois de uma perseguição de mais de duas semanas.
As autoridades norte-americanas perseguem o petroleiro há semanas, depois de este ter tentado contornar um bloqueio perto da Venezuela.
A Guarda Costeira dos EUA intercetou a embarcação nas Caraíbas em dezembro, quando navegava do Irão para carregar petróleo na Venezuela. As autoridades norte-americanas disseram que estavam a agir com base num mandado de apreensão porque o navio apresentava uma bandeira falsa.
A tripulação do navio recusou a abordagem, deu um novo nome à embarcação e adotou uma bandeira russa, pintada no casco. Moscovo terá também entrado em contacto com Washington através de canais diplomáticos para interromper a perseguição.
A notícia surge numa altura em que os EUA intensificam a sua repressão sobre os petroleiros que Moscovo utiliza para contornar as sanções internacionais. Em dezembro, por exemplo, os EUA apreenderam o petroleiro The Skipper ao largo da costa da Venezuela, justificando a ação com o facto de o navio estar a hastear uma bandeira falsa.
O petroleiro, que era conhecido como Bella 1, foi sancionado por Washington por alegadamente transportar petróleo iraniano do mercado negro, em nome de organizações designadas por Washington como terroristas.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo afirmou estar a monitorizar a situação do Marinera, sublinhando que a embarcação ostenta bandeira russa e está agora "aproximadamente a 4.000 quilómetros (2.500 milhas) da costa americana". Os dados de seguimento marítimo indicam que o petroleiro está a navegar no Atlântico Norte.
O incidente acontece num momento de aumento da tensão entre os EUA e a Rússia, após a operação militar em Caracas, a 3 de janeiro, que levou à captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, aliado da Rússia.
O presidente norte-americano, Donald Trump, também já voltou a criticar o Kremlin pela sua recusa em por fim à guerra na Ucrânia, dizendo que o presidente russo, Vladimir Putin, está a "matar muita gente".