Mercados de ações também tiveram uma reação positiva, mas ainda há dúvidas sobre como pode ser reaberto o Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo caíram a pique nas primeiras horas desta quarta-feira, depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter acordado um cessar-fogo de duas semanas com o Irão, aumentando as esperanças de que mais petroleiros consigam transitar em breve pelo importante Estreito de Ormuz.
Os contratos futuros do crude West Texas Intermediate (WTI) caíram mais de 15% após o fecho do mercado, para menos de 95 dólares por barril.
Entretanto, os futuros das ações americanas e os mercados asiáticos registaram uma subida. Os futuros do Dow Jones subiram mais de 900 pontos, ou 1,95%, os do S&P 500 avançaram 2,13% e os do Nasdaq subiram 2,46% após o fecho do mercado.
Na madrugada desta quarta-feira, o índice Nikkei 225 do Japão subiu 4,4% às 09:30 locais, enquanto o Kospi da Coreia do Sul teve uma subida de 5,6%.
Mas os analistas alertaram que ainda restam dúvidas, incluindo o que mudará para o bloqueio efetivo do estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
“O mercado estava ansioso por boas notícias, mas ainda não se sabe se o Estreito de Ormuz será totalmente aberto”, explica Bob McNally, fundador e presidente do Rapidan Energy Group, à CNN. “Esta é a questão crucial e, até agora, Washington e Teerão parecem estar a comunicar de forma incompatível.”
Ainda assim, a subida das ações e a queda dos preços do petróleo enviaram uma mensagem “extremamente clara”, frisa Art Hogan, estratega-chefe de mercado da B. Riley Financial, à CNN: “Os investidores gostariam que o Estreito de Ormuz fosse aberto e que este conflito ficasse para trás.”
Trump concordou com o cessar-fogo a menos de duas horas do prazo final das 01:00 (hora de Portugal continental) para destruir “toda uma civilização”. Disse que o acordo dependia da reabertura do Estreito de Ormuz.
“Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irão e acreditamos que é uma base viável para negociar”, publicou Trump no Truth Social na noite desta terça-feira.
A guerra no Médio Oriente - e o encerramento efetivo do crucial Estreito de Ormuz - provocou o maior choque no fornecimento de petróleo de que há registo, afetndo cerca de 12 a 15 milhões de barris de crude por dia. Tanto o mercado de futuros como o mercado físico do petróleo já tinham sinalizado importantes problemas.
Mas se o estreito poderá simplesmente voltar a funcionar normalmente é uma incógnita. O Irão também reivindicou a vitória e afirmou que as suas Forças Armadas vão regular a passagem pelo Estreito de Ormuz, o que concederia ao Irão uma “posição económica e geopolítica única”, segundo um comunicado do Secretariado do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão.
O cessar-fogo “não esclareceu nada em relação ao Estreito”, aponta Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo da GasBuddy.
E os efeitos a longo prazo levarão algum tempo a dissipar-se.
“Para além do curto prazo, o regime governante do Irão consolidou (indiscutivelmente) o seu controlo político e demonstrou a sua capacidade de levar os mercados globais de petróleo e gás à ruína…”, escreveu Karl Schamotta, da Corpay Currency Research, numa nota na noite desta terça-feira.