Nem a invasão da Rússia à Ucrânia colocou a situação tão instável, mas só assim se vai conseguido manter o barril abaixo dos 150 dólares
A quantidade de petróleo na Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) dos EUA caiu na semana passada para o nível mais baixo desde 1983, enquanto a administração Trump continua a libertar petróleo de emergência para minimizar os danos da guerra com o Irão.
De acordo com dados federais divulgados esta segunda-feira, as autoridades norte-americanas libertaram mais 8,9 milhões de barris da SPR só na semana passada.
Isto deixa a reserva de emergência de petróleo dos EUA com 340,3 milhões de barris de crude, superando o anterior recorde negativo, estabelecido em julho de 2023, durante o governo do presidente Joe Biden, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
A última vez que a SPR teve menos petróleo do que hoje foi em julho de 1983, quando a administração Reagan estava a preencher a reserva pela primeira vez e os Estados Unidos tinham uma economia mais pequena.
A SPR tornou-se uma ferramenta fundamental que a administração Trump tem utilizado para mitigar os impactos negativos dos elevados preços da energia nos consumidores, nas empresas e na economia em geral.
“As libertações da SPR, combinadas com as libertações de outros governos e a redução das exportações da China, impediram, até à data, que o cenário apocalíptico do petróleo a 150 dólares se concretizasse”, afirmou Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates.
Guerras consecutivas dizimaram uma grande parte da SPR.
A SPR caiu 75 milhões de barris, ou 18%, desde o início da guerra com o Irão, no final de fevereiro.
Quando lançou a sua terceira candidatura à Casa Branca, em 2022, o presidente Donald Trump criticou Biden por esgotar a SPR antes das eleições intercalares desse ano. Mas agora, os responsáveis da administração Trump estão a esgotar a SPR a um ritmo ainda mais acelerado, na véspera das eleições intercalares deste ano.
Aos níveis atuais, a SPR está com pouco menos de metade da sua capacidade.
A SPR precisa de estar a pelo menos 20% da sua capacidade para ser operacional, alertou Mike Sommers, CEO da American Petroleum Reserve, na semana passada.
“Estamos a fazer soar o alarme agora”, disse Sommers a Phil Mattingly, da CNN, no programa The Lead. “Estamos a chegar a níveis que começam a preocupar-nos.”
Lipow disse acreditar que as libertações da SPR podem ter de ser reduzidas assim que a administração Trump terminar de libertar os 172 milhões de barris que prometeu em março.
O petróleo de emergência libertado desde o início da guerra com o Irão terá de ser reposto com o tempo - mas essa reposição não acontecerá a tempo do pico da época dos furacões.
“Se tivermos um grande furacão no Golfo do México que paralise a produção durante várias semanas, essa reserva já não estará disponível”, disse Lipow.
