Documento foi criado por uma educadora de infância de 50 anos que diz sentir-se "abandonada", tal como "imensos professores e educadores" que conhece
Carla Soares tem 50 anos e é educadora de infância numa IPSS do Porto. Como “imensos professores e educadores” que conhece, sente-se “abandonada” e “desgastada”. Diz que, ao longo dos anos, tem vindo a observar e a sentir na pele o “desgaste real e crescente que a profissão docente provoca”.
“Ao acompanhar de perto esta realidade, senti a necessidade de dar voz a algo que, sendo profundamente sentido, nem sempre é devidamente ouvido”, conta, em declarações à CNN Portugal.
Por isso, criou uma petição que defende a reforma dos professores e educadores aos 60 anos, sem penalizações. “Ensinar não é apenas uma profissão - é uma missão profundamente exigente, exercida diariamente sob pressão constante, desgaste emocional intenso e responsabilidade permanente. Ao longo de décadas, os professores trabalham muito para além do horário, lidam com níveis elevados de stress e exaustão, enfrentam turmas cada vez mais exigentes e heterogéneas, são sobrecarregados com burocracia excessiva, sacrificam frequentemente a sua saúde física e mental”, defende o documento que, apenas dois dias depois de ser lançado online, já conta com mais de 40 mil assinaturas.
“É inaceitável exigir que estes profissionais permaneçam em funções até aos 66 ou 67 anos, quando o próprio sistema já evidencia sinais claros de desgaste generalizado”, pode ler-se ainda na petição.
Carla defende que a adesão dos internautas à petição “demonstra de forma clara que esta não é uma situação isolada, mas sim uma realidade amplamente sentida na sociedade”. “Esta petição foi criada num momento de introspeção pessoal, de querer dar um grito de revolta por ninguém ouvir este sentimento vivido por mim e por tantas colegas. Devo ser verdadeira nunca esperei que em poucas horas atingisse a proporção onde chegou. Mas sinto-me grata por isso. Afinal não sou só eu”, sublinha.
A petição lançada na última sexta-feira já ultrapassou em muito as 7 500 assinaturas exigidas para ser debatida em plenário da Assembleia da República, pelo que o próximo passo deve mesmo ser o envio ao Parlamento.