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"Há alguém por aí que matou Diane Sindall" (e não é Peter Sullivan). Homem libertado após 38 anos por crime que testes de ADN provam não ter cometido

13 mai 2025, 16:13
Peter Sullivan

Jovem tinha acabado o turno onde trabalhava para juntar dinheiro para o casamento quando foi violada e espancada até à morte num beco

O Tribunal de Recurso do Reino Unido anulou esta terça-feira a condenação mais longa envolvendo um prisioneiro vivo na história judicial do país. Peter Sullivan, hoje com 68 anos, foi ilibado do homicídio brutal de Diane Sindall, uma jovem florista de 21 anos, assassinada em agosto de 1986 em Merseyside.

Novos testes forenses, realizados com tecnologia de ADN moderna, revelaram que Peter Sullivan não estava presente nas amostras biológicas recolhidas na cena do crime. O homem esteve quase quatro décadas atrás das grades. 

Peter Sullivan, então com 29 anos, foi inicialmente detido como suspeito e mais tarde confessou o crime. Mas, ao longo dos anos, persistiram dúvidas sobre a validade dessa confissão, sobretudo porque a terá assinado sem a devida representação legal. Nos anos que se seguiram alegou sempre inocência. E agora a ciência provou que dizia a verdade.

Durante a audiência, transmitida por videochamada desde a prisão de segurança máxima de Wakefield, Peter Sullivan mal conseguiu conter as lágrimas. De cabeça baixa e visivelmente emocionado, levou a mão à boca ao ouvir que a sua condenação tinha sido oficialmente anulada. No tribunal, um familiar chorava com ele.

Numa declaração lida pela sua advogada, Peter Sullivan disse que "não estava chateado". 

"O que aconteceu comigo foi muito errado, mas não diminui o facto de que o que realmente aconteceu foi a perda de uma vida de uma forma hedionda e terrível", afirmou, citado pela Sky News.

O crime que abalou Merseyside

A morte de Diane Sindall chocou a comunidade de Merseyside. Descrito pelos investigadores como “um dos crimes mais brutais” de que tinham memória, a jovem foi violada e espancada até à morte num beco sem iluminação. Tinha terminado o turno no pub onde trabalhava nos tempos livres para juntar dinheiro para o seu casamento e seguia a pé para a bomba mais próxima, depois de o seu carro ter ficado sem gasolina.

A jovem sofreu múltiplos golpes na cabeça que levaram à sua morte, mas o corpo também tinha marcas de mordidas e lacerações.

No dia seguinte, a roupa de Diane foi encontrada a arder, a cerca de 16 quilómetros do local do crime. Peter Sullivan tornou-se suspeito depois de várias testemunhas relatarem ter visto um homem com o seu aspeto físico a afastar-se, em passo apressado, do local do incêndio. 

O caso mobilizou a maior operação policial alguma vez conduzida na região. Agora, com a libertação de Peter Sullivan, a polícia confirmou que reabriu a investigação para encontrar o verdadeiro culpado, cujo perfil genético já foi isolado, mas ainda não corresponde a nenhuma entrada na base de dados nacional.

O juiz declarou que, à luz das novas provas, "é impossível considerar segura a condenação do arguido”. O Ministério Público britânico também reconheceu que não existiam bases credíveis para contestar o recurso da defesa.

“Ele lutou por justiça durante décadas. E esta prova de ADN foi finalmente o momento decisivo”, afirmou a advogada de Peter Sullivan. “Quando soube, chorou. Riu. Ficou eufórico.”

Apesar da libertação, Peter Sullivan, agora um homem idoso, está ciente do impacto que esta decisão tem sobre a família da vítima. “Nunca esqueceremos Diane, nem a dor da sua família”, garantiu a defesa.

E agora?

“A incerteza voltou”, reconhece Jo Wood, do Centro de Violação e Abuso Sexual de Merseyside, uma instituição criada precisamente na sequência da tragédia. “Durante anos, sentimos medo. Hoje, esse medo regressa. Há alguém por aí que matou Diane Sindall.”

A polícia está a recolher amostras de ADN de antigos envolvidos na investigação e apela a informações que possam conduzir à identidade do verdadeiro assassino. “O maior medo é o desconhecido”, disse o solicitador em declarações à imprensa britânica. “Não sabemos quem é esta pessoa. Já a encontrámos? Vamos encontrá-la?”.

A polícia já confirmou que o ADN não pertence a nenhum membro da família de Diane, nem ao seu noivo.

38 anos, sete meses e 21 dias depois, Peter Sullivan sai da prisão, mas a busca por justiça continua.

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